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Pesquisa nos EUA mostra jovens cansaram de SUVs

Preços mais altos e busca por veículos mais eficientes está mudando muito sobre o desejo de compra das novas gerações

Prisma|Marcos Camargo JrOpens in new window

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2026 Jeep® Cherokee front three-quarter view Stellantis/Divulgação

Durante mais de uma década parecia não haver alternativa: o mercado norteamericano migrou em massa para SUVs e crossovers e praticamente abandonou sedãs, cupês e hatchbacks. E isso ocorreu em toda a América Latina, Europa, Ásia e Oceania. Mas um conjunto recente de levantamentos acompanhados por consultorias e veículos especializados dos Estados Unidos começa a apontar uma mudança de percepção entre consumidores mais jovens — especialmente adolescentes e integrantes da geração Z. A leitura não significa o fim dos SUVs, longe disso. Mas sugere que parte do público mais novo pode estar começando a buscar justamente o oposto do que dominou as garagens dos pais.


Jeep Cherokee Marcos Camargo Jr. 06.12.2025

Segundo dados repercutidos a partir de pesquisas da COX e Edmunds nos EUA, mais da metade dos adolescentes americanos entrevistados (51%) se imaginam dirigindo sedãs no futuro.Já os SUVs apareceram como preferência de 31% desse grupo — um contraste grande diante do cenário atual do mercado americano, onde utilitários e crossovers seguem concentrando a maior parte das vendas.

Saturação dos SUVs e busca por identidadeA explicação vai além de consumo ou ficha técnica. Analistas americanos apontam um fator geracional: jovens normalmente rejeitam produtos associados aos hábitos dos pais.Se nos anos 1990 e 2000 muita gente abandonou peruas e minivans em favor dos SUVs, agora parte da geração Z parece enxergar os utilitários como um produto comum demais — e sem personalidade.


Jeep Cherokee Marcos Camargo Jr. 06.12.2025

Há também fatores mais práticos como os preços elevados dos SUVs, consumo geralmente superior ao de sedãs equivalentes e menor necessidade de espaço para famílias menores além da preferência crescente por veículos mais baixos e eficientes.Em outras palavras: para um jovem solteiro ou casal sem filhos, um sedã compacto ou médio pode parecer mais racional do que um SUV de entrada. A indústria criou um problema para ela mesmaExiste outro ponto curioso nesse movimento: várias montadoras reduziram fortemente suas linhas de carros baixos justamente quando aparece um sinal de demanda.

Honda Accord Honda/Divulgação

Nos EUA, algumas fabricantes praticamente eliminaram sedãs do portfólio em busca de margens maiores em SUVs e picapes. O resultado é que consumidores interessados em carros tradicionais acabam migrando para marcas que ainda mantêm essa oferta. Isso ajuda a explicar por que modelos como Honda Civic, Toyota Camry e Honda Accord continuam relevantes mesmo em um mercado dominado por utilitários.E no Brasil?Aqui o cenário ainda é bem diferente.Hoje 57% das vendas de veículos novos no país são de SUVs de diversas categorias. E 40% dos que pretendem comprar um carro desejam um SUV na garagem segundo pesquisa do Webmotors Autoinsights.SUVs compactos seguem fortes com produtos como Volkswagen T-Cross, Hyundai Creta e Jeep Compass dominando segmentos importantes. E os modelos chineses como BYD Song, GWM Haval além dos mais recentes Jaecoo 7, Geely EX5 entre outros também vem ganhando espaço.


Volkswagen T-Cross Canarinho estacionado de frente Marcos Camargo Jr 18.05.2026

Mas existe um sinal parecido começando a aparecer: consumidores mais jovens demonstram interesse por carros menores, eletrificados e com visual menos “utilitário”. O avanço de elétricos compactos e híbridos urbanos também conversa com essa tendência.No fim, o que as pesquisas americanas sugerem não é que o SUV morreu — e sim que ele deixou de ser aspiracional para parte da geração Z.

Depois de anos em que “carro alto” virou símbolo de desejo, talvez o próximo ciclo seja justamente redescobrir o prazer de dirigir algo mais baixo, mais leve e menos parecido com o carro da família.


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