Pesquisa nos EUA mostra jovens cansaram de SUVs
Preços mais altos e busca por veículos mais eficientes está mudando muito sobre o desejo de compra das novas gerações

Durante mais de uma década parecia não haver alternativa: o mercado norteamericano migrou em massa para SUVs e crossovers e praticamente abandonou sedãs, cupês e hatchbacks. E isso ocorreu em toda a América Latina, Europa, Ásia e Oceania. Mas um conjunto recente de levantamentos acompanhados por consultorias e veículos especializados dos Estados Unidos começa a apontar uma mudança de percepção entre consumidores mais jovens — especialmente adolescentes e integrantes da geração Z. A leitura não significa o fim dos SUVs, longe disso. Mas sugere que parte do público mais novo pode estar começando a buscar justamente o oposto do que dominou as garagens dos pais.

Segundo dados repercutidos a partir de pesquisas da COX e Edmunds nos EUA, mais da metade dos adolescentes americanos entrevistados (51%) se imaginam dirigindo sedãs no futuro.Já os SUVs apareceram como preferência de 31% desse grupo — um contraste grande diante do cenário atual do mercado americano, onde utilitários e crossovers seguem concentrando a maior parte das vendas.
Saturação dos SUVs e busca por identidadeA explicação vai além de consumo ou ficha técnica. Analistas americanos apontam um fator geracional: jovens normalmente rejeitam produtos associados aos hábitos dos pais.Se nos anos 1990 e 2000 muita gente abandonou peruas e minivans em favor dos SUVs, agora parte da geração Z parece enxergar os utilitários como um produto comum demais — e sem personalidade.

Há também fatores mais práticos como os preços elevados dos SUVs, consumo geralmente superior ao de sedãs equivalentes e menor necessidade de espaço para famílias menores além da preferência crescente por veículos mais baixos e eficientes.Em outras palavras: para um jovem solteiro ou casal sem filhos, um sedã compacto ou médio pode parecer mais racional do que um SUV de entrada. A indústria criou um problema para ela mesmaExiste outro ponto curioso nesse movimento: várias montadoras reduziram fortemente suas linhas de carros baixos justamente quando aparece um sinal de demanda.

Nos EUA, algumas fabricantes praticamente eliminaram sedãs do portfólio em busca de margens maiores em SUVs e picapes. O resultado é que consumidores interessados em carros tradicionais acabam migrando para marcas que ainda mantêm essa oferta. Isso ajuda a explicar por que modelos como Honda Civic, Toyota Camry e Honda Accord continuam relevantes mesmo em um mercado dominado por utilitários.E no Brasil?Aqui o cenário ainda é bem diferente.Hoje 57% das vendas de veículos novos no país são de SUVs de diversas categorias. E 40% dos que pretendem comprar um carro desejam um SUV na garagem segundo pesquisa do Webmotors Autoinsights.SUVs compactos seguem fortes com produtos como Volkswagen T-Cross, Hyundai Creta e Jeep Compass dominando segmentos importantes. E os modelos chineses como BYD Song, GWM Haval além dos mais recentes Jaecoo 7, Geely EX5 entre outros também vem ganhando espaço.

Mas existe um sinal parecido começando a aparecer: consumidores mais jovens demonstram interesse por carros menores, eletrificados e com visual menos “utilitário”. O avanço de elétricos compactos e híbridos urbanos também conversa com essa tendência.No fim, o que as pesquisas americanas sugerem não é que o SUV morreu — e sim que ele deixou de ser aspiracional para parte da geração Z.
Depois de anos em que “carro alto” virou símbolo de desejo, talvez o próximo ciclo seja justamente redescobrir o prazer de dirigir algo mais baixo, mais leve e menos parecido com o carro da família.
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