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Dor crônica é doença? Entenda por que a medicina mudou a forma de tratar a dor

Avanços da medicina mostram que o tratamento pode ir muito além dos analgésicos e envolver fisioterapia, psicoterapia, nutrição e mudanças no estilo de vida

Saúde em Perspectiva|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Dor crônica é reconhecida como uma doença, afetando cerca de 40% dos brasileiros, e requer tratamento multidisciplinar.
  • Avanços na medicina destacam a importância de abordagens além dos analgésicos, incluindo fisioterapia, psicoterapia e mudanças no estilo de vida.
  • Tratamentos personalizados são fundamentais, considerando a experiência única de dor de cada paciente.
  • Médicos especializados em dor oferecem gerenciamento eficaz, priorizando a comunicação e compreensão entre médico e paciente.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

A dor pode ser mais do que um sintoma: quando persiste, ela pode se tornar uma doença PEXELS/SoraShima

A dor parece um sintoma que atinge todo mundo. Pelo menos uma vez na vida sentimos dor. É porque a dor é um sintoma de que algo está machucado ou errado em nossa saúde.

Mas ela também pode ser uma doença em si.


As dores agudas são aquelas que são o sintoma de aviso de que algo não está bem ou de que algo não tão bom aconteceu. Uma pancada pode gerar dor, bem como uma dor de cabeça pode estar nos avisando de algo pior, como um AVC.

No ambiente hospitalar, a dor é vista como um sinal vital. É tão importante quanto a frequência cardíaca, pressão arterial, frequência respiratória e temperatura.


Mas a dor crônica, aquela que dura mais de três meses, essa pode ser chamada de doença.

Segundo dados do Ministério da Saúde, quase 40% dos brasileiros sofrem de dor crônica. Além dos impactos pessoais, como não conseguir trabalhar, perda da possibilidade de certas interações sociais, sofrimento físico e psíquico, há uma série de prejuízos econômicos que vão da impossibilidade de gerar sua própria renda aos gastos com atendimentos médicos, tratamentos, perícias e até despesas jurídicas.


Mas a dor vem sendo vista de forma diferente pela medicina a partir dos avanços farmacêuticos e dos estudos sobre ela, fazendo com que o paciente com dor crônica seja acompanhado da mesma forma que o indivíduo com hipertensão arterial, diabetes ou qualquer outra doença crônica.

Ela é entendida como resultado de alterações complexas no sistema nervoso, que mantêm a sensação dolorosa mesmo após a resolução da causa inicial. Esse novo olhar reforça a necessidade de uma abordagem multidisciplinar para o tratamento, envolvendo não só os medicamentos, mas também fisioterapia, psicoterapia e estratégias de autocuidado.


Segundo a International Association for the Study of Pain, a dor crônica é definida como uma experiência sensorial e emocional desagradável – ou seja, bastante individual.

Para a Dra. Carolina Baeta, médica anestesista que atua na Clínica da Dor do Hospital Moriah junto com o Dr. Caio Lobo, também anestesista, que atende pacientes com dores agudas e crônicas, “a abordagem deve ter espectro amplo de intenções e nós trabalhamos não só com tratamento medicamentoso, mas também com mudança de estilo de vida, acompanhamento nutricional, psicológico e fisioterapêutico e, em alguns casos, com procedimentos como bloqueios de nervo periférico e infiltrações. Seguimos esses pacientes no consultório de dor crônica pelo tempo que for necessário.”

A experiência da dor crônica é tão única e particular que diferentes pessoas, com os mesmos relatos e condições clínicas, vivenciam níveis variados de intensidade e impacto. Essa variação torna os planos de tratamento bastante personalizados.

Hoje temos inclusive uma subespecialidade para acompanhar os pacientes, que é o médico da dor. Ele consegue fazer um gerenciamento eficaz dessa condição.

Mas vale lembrar que médicos e pacientes precisam de uma sintonia na busca desse manejo. O médico deve estar aberto à multidisciplinaridade e até mesmo às crenças do próprio paciente. E o paciente, aberto a compreender os seus próprios mecanismos de ativação dessa dor.

Investigar a causa da dor ou apenas buscar o alívio pode depender muito mais da relação estabelecida durante as consultas do que se pensa.

É importante lembrar – médicos e pacientes – de que a analgesia não depende apenas dos remédios. A cultura dos analgésicos já criou graves problemas sociais em alguns países, pois há medicações que causam dependência química e podem gerar as mesmas questões que drogas ilícitas causam.

O médico da dor trabalha com os medicamentos, mas analisa qual é o mais indicado, quando ele deve ser indicado e até quando pode ser tomado. E ele acompanha cada efeito sobre o corpo e sobre a vida do paciente.

Mas, sobretudo, ele lança mão de outras formas de tratamento que vão desde técnicas milenares até um olhar mais profundo sobre a mente e a vida daquele que está sofrendo.

Tratamento da dor crônica pode envolver medicamentos, fisioterapia e acompanhamento psicológico. PEXELS/Ge

O tratamento da dor requer um arsenal que transcende os protocolos. Ele pede muita escuta, muita quebra de preconceitos e uma postura flexível tanto do médico, quanto do próprio paciente.

E o mais importante é que, mesmo que para alguma dor não haja cura, a medicina da dor consegue o tratamento e o manejo para que o indivíduo consiga viver plenamente.

Se não completamente sem dor, a vida pode ser bem vivida apesar dela.

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