7 de Setembro: protestos terminam com mais de 70 detidos e ao menos 14 feridos, entre eles uma criança
Manifestantes e PMs entraram em confronto várias vezes durante todo o dia
Rio de Janeiro|Do R7

Os protestos de sábado (7), no centro do Rio de Janeiro e em Laranjeiras, zona sul, resultaram na detenção de ao menos 77 pessoas, segundo a Polícia Militar. Os motivos vão desde desacato até arremesso de latinha de cerveja contra uma viatura da corporação. Um carro da Polícia Civil foi pichado por vândalos.
Os agentes cumpriram a orientação da CEIV (Comissão Especial de Investigação de Atos de Vandalismos em Manifestações Públicas) e levaram para a delegacia qualquer mascarado que tenha se recusado a mostrar o rosto e apresenta a carteira de identidade.
Os confrontos entre PMs e manifestantes deixaram pelo menos 14 pessoas feridas, de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde. Entre as vítimas estavam mulheres e uma criança de seis anos, que foi atingida na cabeça. Todos foram liberados até o fim da noite.
A confusão no centro começou cedo. Às 9h, já havia ao menos cinco manifestantes detidos por se reusarem a mostrar o rosto ou por desacato. Uma hora depois, centenas de manifestantes tentaram invadir a área isolada para a realização do desfile cívico de 7 de Setembro e foram contidos por policiais militares, que lançaram bombas de gás lacrimogêneo, usaram spray de pimenta e dispararam balas de borracha.
Logo que o tumulto começou, pessoas que se aglomeravam para assistir ao desfile correram em direção às estações de metrô. Segundo o MetrôRio, três dos quatro acessos à estação Central do Brasil foram fechados por precaução. As arquibancadas montadas ao longo da avenida Presidente Vargas para acomodar cerca de 4.000 pessoas foram rapidamente esvaziadas. O desfile, porém, seguiu sem alterações no trajeto, sob proteção de uma imensa barreira policial.
Às 11h40, manifestantes iniciaram nova marcha pela rua Uruguaiana. Black Blocs se misturaram a integrantes do movimento Grito dos Excluídos, que ocorre todo dia 7 de setembro desde 1995. O protesto ocorria de forma pacífica até o meio-dia, quando policiais lançaram duas bombas de gás lacrimogêneo e foram atacados com pedras portuguesas por mascarados.
Cerca de cem policiais militares, com reforço do Batalhão de Choque, acompanhavam a manifestação. Às 12h20, um rapaz foi detido após jogar uma latinha de cerveja contra uma viatura da polícia.
Os manifestantes levavam cartazes pedindo a saída do governador Sérgio Cabral e também com a pergunta que tem se feito presente em todas as manifestações: "Onde está o Amarildo?". O ajudante de pedreiro sumiu em 14 de julho, após ser abordado por PMs na Rocinha.
Por volta das 13h30, manifestantes do grupo Black Bloc tomaram de maneira simbólica o monumento a Zumbi dos Palmares, na avenida Presidente Vargas, no centro do Rio de Janeiro. Eles arrancaram e incendiaram bandeiras do Brasil e do Estado presas ao monumento. Em seguida, hastearam uma bandeira negra, símbolo do grupo.
Bloqueio no caminho do Palácio Guanabara
No fim da tarde, manifestantes partiram do Largo do Machado rumo a Laranjeiras, onde fica o Palácio Guanabara, sede do governo do Estado. O grupo de cerca de 200 pessoas, porém, parou em um cordão de isolamento feito por PMs, na rua Pinheiro Machado, próximo à sede do Fluminense.
Assim que a multidão ameaçou continuar marchando, foi contida com bombas de gás lacrimogêneo e responderam com pedradas. Revoltados, mascarados quebraram pontos de ônibus e fizeram barricadas com lixeiras em chamas. Cerca de 50 pessoas foram detidas e levadas à Delegacia de Bonsucesso (21ª DP). A estação de metrô do Largo do Machado foi fechada por precaução, segundo o MetRôRio.
Mais tarde, por volta das 20h30, um grupo menor se dirigiu à Lapa, região central da cidade. A PM arremessou bombas de gás para dispersar a multidão.















