Agredidos em blocos de Carnaval não-oficiais denunciam repressão da GM ao Ministério Público
O procurador-geral, Marfan Vieira, manifestou interesse em investigar o caso
Rio de Janeiro|Do R7

Um grupo de agredidos pela Guarda Municipal do Rio de Janeiro em blocos não-oficiais do Carnaval da cidade foi recebido pelo procurador-geral de Justiça, Marfan Vieira. Na reunião, segundo o grupo, Vieira manifestou interesse em investigar as agressões.
Na reunião, foi discutido o provável motivo das agressões terem durado desde a abertura não-oficial do Carnaval, no início de janeiro, até o fim da folia. O grupo discute se a repressão aos blocos têm ligação com os patrocínios altos que os blocos autorizados pela prefeitura recebem. A utilização deliberada do armamento não-letal da GM também foi abordada na reunião, já que balas de borracha e spray de pimenta foram disparados contra os foliões.
O grupo também deseja a investigação de fraude processual. Os guardas que detiveram alguns foliões afirmaram ter sofrido desacato, o que não foi verdade, segundo eles. Além disso, celulares de pessoas que filmavam as agressões e as prisões feitas pela GM foram quebrados ou confiscados.
Em um dos vídeos gravados na madrugada do dia 13 de fevereiro, quando o jornalista Bernardo Tabak e outros foliões foram agredidos, um guarda municipal afirma que a ordem da repressão ao Tecnobloco, na praça Mauá, foi dada "pelo capeta". Questionado sobre onde estaria "o capeta", ele afirmou que a ordem teria vindo, então, "do inferno (assista aos vídeos na reportagem abaixo).
“O Carnaval de rua não merece estas manchas roxas"
O jornalista Bernardo Tabak começou a gravar um vídeo no momento em que os agentes lançavam bombas de gás lacrimogêneo e batiam “gratuitamente” nos foliões. Quando os guardas viram Bernardo filmando, imobilizaram-no e decretaram prisão por desacato. Segundo o jornalista, os foliões não estavam depredando as áreas públicas. “Não presenciei o começo do tumulto. Estava no meio da praça. Mas vi de longe uns guardas batendo em gente gratuitamente, indiscriminadamente, que tentavam simplesmente se desvencilhar da confusão. Afirmo: não vi qualquer depredação durante todo o desfile, não vi pichações e não vi ninguém lançando garrafas contra a Guarda (nem em nenhum dos vários vídeos que já assisti até agora).”
Um dos foliões disse que agentes da Guarda Muncipal “espancaram mulheres e indefesos” e alegaram “desacato e destruição do patrimônio público”. Integrantes do bloco negaram que houve depedração.
O jovem também diz ter identificado um dos agentes como C. Souza, que teria agredido ele e uma amiga. Um homem também foi agredido por tentar filmar a repressão dos agentes. Os guardas e os foliões agredidos foram para a delegacia da Lapa (5ª DP).















