Após resgate de traficante, comandante de batalhão da PM é exonerado do cargo
Wagner Guerci comandava o 5º BPM, que monitorava região onde ocorreu resgate
Rio de Janeiro|Do R7

A Polícia Militar exonerou nesta terça-feira (21) o comandante do 5º BPM (Praça da Harmonia), Wagner Guerci. O militar era responsável por comandar as equipes na região do Hospital Municipal Souza Aguiar, na região central do Rio. Na madrugada de domingo (19), um bando armado invadiu a unidade de saúde e resgatou o traficante Nicolas Labre Pereira de Jesus, o Fat Family. Apenas quatro PMs faziam a custódia do preso. Na ação, um paciente foi morto e outras duas pessoas ficaram feridas.
Também foram exonerados também o subcomandante do batalhão e o chefe de operações do comando da região. O comando geral da Polícia "determinou também a revisão de todos os protocolos relacionados a custódia de presos em hospitais, de forma que haja maior rigor no controle e na acompanhamento da situação".
Fat Family foi resgatado do sexto andar do hospital, onde estavainternado desde a última segunda-feira (13), após ser baleado no rosto ao trocar tiros com a polícia no morro Santo Amaro. Nicolas é suspeito de ser chefe do tráfico de drogas na região junto com o irmão, Marco Antônio Pereira Firmino da Silva, apelidado de My Thor, preso desde 2000. A invasão foi feita por volta das 3h30 por cerca de 25 criminosos armados.
Na saída da unidade de saúde, houve troca de tiros e um paciente foi morto. Um PM à paisana e um técnico de enfermagem ficaram feridos. No confronto, uma bomba de fabricação caseira foi atirada em direção a uma viatura, ao lado de uma ambulância, mas não fez vítimas. Ninguém da quadrilha foi ferido no confronto. Segundo informações da Polícia Civil, os agentes responsáveis por escoltar o criminoso não teriam reagido para evitar uma chacina dentro do hospital.
Beltrame afirmou que a atuação dos PMs que faziam a segurança do traficante será investigada. Ele disse que foi instaurada uma averiguação para apurar os procedimentos dos policiais no hospital. Diante da invasão dos criminosos, os PMs afirmaram que evitaram um confronto dentro do hospital e se refugiaram em outro andar da unidade de saúde. A cúpula da segurança pública tinha conhecimento do plano de resgate havia três dias após interceptar conversas telefônicas.
Transferência
A Justiça do Rio determinou a abertura de dez inquéritos para apurar uma suposta festa de comemoração que aconteceu no presídio de Bangu após o resgate. A VEP (Vara de Execuções Penais) apura denúncias de que, na ocasião da suposta festa, havia no presídio um roteador que possibilitava comunicação via wi-fi livre na região, celulares e lanches.
Também encontraram munição de armas de fogo nas unidades. O juiz Eduardo Oberg determinou que a investigação fosse desmembrada entre algumas delegacias. Caberá à delegacia de Bangu (34ª DP), investigar a munição e os lanches. Também conduzirão parte do inquérito a Divisão de Homicídios e a Dcod (Delegacia de Combate às Drogas).
Oberg afirmou que houve "omissão da Secretaria Estadual de Administração Penitenciária". Em nota, a Seap informou que "os diretores e chefes de segurança que estavam de plantão no último domingo, desconhecem qualquer tipo de comemoração no Instituto Penal Vicente Piragibe, onde estava acautelado Edson Ferreira Firmino de Jesus, ou na Penitenciária Gabriel Ferreira Castilho (Bangu 3)".
Edson Ferreira Firmino de Jesus é conhecido como Zaca, tio de Fat Family. Além dele, o juiz da VEP determinou a transferência de outros 14 criminosos de Bangu para prisões federais. O secretário de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, havia pedido na segunda-feira (20) que a Justiça determinasse a transferência de 11 criminosos da facção de Fat Family.
"Inaceitável"
O prefeito Eduardo Paes classificou como “assustador e inaceitável” o resgate. Paes comentou que iria se encontrar com o governador em exercício Franscisco Dornelles e o secretário de segurança José Mariano Beltrame para discutir sobre a segurança na cidade.
— É algo assustador e inaceitável. Esse é um pleito que eu vou fazer às forças de segurança e conversar com o secretário Beltrame e o governador Dornelles porque desse jeito não dá. Temos que ter nossa unidade de saúde funcionamento. Falta polícia.















