Após tiros no AfroReggae, Beltrame muda policiamento no Alemão e culpa facção por atentados
Secretário de Segurança diz que ordem de atentados contra grupo cultural vieram de presídios
Rio de Janeiro|Do R7, com Agência Brasil

O Secretário Estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, anunciou nesta quinta-feira (31) que haverá mudanças na estratégia de policiamento no Complexo do Alemão, na zona norte, onde ocorreram recentemente atos de violência. Beltrame fez o anúncio durante a reabertura do núcleo do grupo cultural Afroreggae na comunidade. As atividades do grupo serão desenvolvidas em outro prédio, enquanto a sede passa por obras de recuperação. O governador Sérgio Cabral, e o coordenador do AfroReggae, José Júnior, também participaram da solendiade.
Beltrame informou que a polícia já tem informações sobre os tiros disparados, na noite de terça-feira (30) contra o prédio do AfroReggae, incendiado no dia 16 deste mês. Segundo o secretário, foram obtidas informações "no âmbito da inteligência", mas ainda falta formação de prova.
— Isso é fruto de investigação policial, de um trabalho da inteligência. Nós precisamos de formação de prova. E, mais do que isso, capturar essas pessoas.
De acordo com o secretário, uma facção criminosa seria a responsável pelos atentados na comunidade do Alemão. Segundo ele a ordem teria vindo de presídios. Beltrame disse ainda que o grupo responsável pelo incêndio e pelos tiros é o mesmo.
— Temos a nítida impressão de que este movimento é muito mais contra José Júnior pela sua história, do que efetivamente contra o projeto da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora).
O governador Sérgio Cabral destacou a importância do grupo cultural para a sociedade.
— O AfroReggae faz um belo trabalho social e cultural, inclusive de recuperação de ex-traficantes, que encontram o caminho do bem. O AfroReggae já foi convidado para fazer apresentações no mundo inteiro. Ter um ícone como este de cultura e entretenimento – é disto que estamos tratando aqui, é de cidadania.
Apesar de entender que há risco na reabertura do AfroReggae, José Júnior disse que o grupo confia no trabalho de segurança do governo.
— Fechamos porque houve uma ameaça, mas estamos reabrindo mesmo com esse ordenamento. A ordem para fecharmos chegou quinta-feira (18), e ainda abrimos na sexta (19). Só fechamos no sábado (20). Ficamos dez dias fechados por causa das ameaças. Se eu disser que não há risco, estarei mentindo.
Ele ressaltou, porém, que o grupo está tendo apoio, “que vai além do governo, é da comunidade como um todo”.
— Isso tudo aqui é por causa dele. Eu o acusei exatamente do que está acontecendo agora. Digamos assim: se a facção fosse uma empresa, ele seria o presidente do conselho. Ele está preso por estupro, mas responde a outras acusações.
No último dia 16, a sede do Afroreggae no Complexo do Alemão foi incendiada. No prédio, funcionavam a redação do jornal Voz da Comunidade e uma pousada administrada pelo grupo. Wagner Moraes da Silva, de 20 anos, suspeito de ser responsável pelo incêndio, morreu na madrugada desta no Hospital Municipal Pedro II, em Santa Cruz, na zona oeste do Rio. Na noite de terça, oito tiros de fuzil foram disparados contra o prédio incendiado. Nenhum suspeito foi preso.















