Caso Amarildo tem terceiro dia de audiência nesta quarta-feira
Juíza já ouviu seis testemunhas de acusação
Rio de Janeiro|Do R7

Será retomada nesta quarta-feira (19), às 13h, a audiência de instrução e julgamento dos 25 policiais militares acusados de terem torturado e desaparecido com o corpo de Amarildo Dias, auxiliar de pedreiro, na Rocinha, zona sul. Esta é a terceira fase da audiência. Seis testemunhas de acusação já foram ouvidas, sendo três policiais civis e três militares. Nesta fase, outras testemunhas de acusação devem ser ouvidas na 35º Vara Criminal da Capital. Elizabete Gomes da Silva, viúva da vítima, está entre as 20 testemunhas de acusação.
Na primeira audiência, em 20 de fevereiro, o titular da DH (Divisão de Homicídios), Rivaldo Barbosa, afirmou que os réus tentaram responsabilizar pelo crime pessoas que não estavam envolvidas no desaparecimento. A delegada-assistente da DH, Ellen Souto, também depôs no primeiro dia e disse que os acusados prometeram casas, compraram fraldas e deram dinheiro para moradores da Rocinha para que eles confirmassem que Amarildo teria sido assassinado por traficantes.
Na segunda fase de depoimentos na última quarta-feira (12), três policiais militares foram ouvidos. O soldado Allan Jardim afirmou ter ouvido gritos de sufocamento saindo da base da UPP da Rocinha no dia 14 de julho, quando Amarildo desapareceu. Ele também disse ter visto cinco PMs saindo com uma capa de moto em direção a mata antes do fim do seu turno. Outra testemunha de acusação, a PM Dezia Juliana de Souza, disse que ouviu gargalhadas após a suposta sessão de tortura. Ela teria levado, dois dias depois, Elizabete Gomes da Silva, viúva de Amarildo, para falar com o Major Edson, que teria deixado o número do telefone dele com ela. O major teria orientado a policial a dizer que teria visto Amarildo sair tranquilamente da UPP no dia do desaparecimento.
Entenda o caso
Amarildo desapareceu no dia 14 de julho de 2013 após ser levado por policiais militares para a sede da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) da Rocinha para averiguação durante a operação Paz Armada, da Polícia Militar. Após o desaparecimento, familiares e vizinhos fizeram protestos que chegaram a fechar o túnel Zuzu Angel. Todos se perguntavam: Onde está o Amarildo?
O caso ganhou repercussão e entrou na pauta dos protestos que tomaram a cidade no segundo semestre do ano passado. Em outubro, 25 PMs da UPP da Rocinha foram presos sob acusação de tortura, ocultação de cadáver, fraude processual e formação de quadrilha. Entre eles, o major Edson Santos, comandante da unidade.















