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Cinegrafista morre em protesto no Rio e 2 manifestantes acusados aguardam júri popular

Santiago Andrade foi o 1º profissional de imprensa morto em decorrência de manifestação

Rio de Janeiro|Do R7

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Morte de Santiago gerou comoção
Morte de Santiago gerou comoção

A onda de manifestações foi interrompida de maneira trágica no Rio de Janeiro. O cinegrafista da TV Bandeirantes Santiago Ilídio Andrade, de 49 anos, foi atingido por um rojão na cabeça quando fazia a cobertura de um protesto contra o aumento da passagem de ônibus, na Central do Brasil, centro do Rio, no dia 6 de fevereiro. Após quatro dias em coma no CTI do Hospital Souza Aguiar, Santiago teve morte cerebral. 

Diante da repercussão do caso, um dos suspeitos flagrados com o rojão no protesto, Fabio Raposo, de 22 anos, se apresentou à polícia. Raposo admitiu ser o rapaz identificado nas imagens cedidas aos investigadores pela TV Brasil. O jovem disse ter repassado o artefato a um homem, que seria o responsável por acendê-lo. Depois de ter a prisão decretada pela Justiça, ele foi preso na casa da mãe, no Recreio dos Bandeirantes, zona oeste do Rio.


O outro suspeito de participação na morte do cinegrafista foi identificado através de informações passadas por Fabio Raposo e pelo advogado dele Jonas Tadeu. A polícia localizou Caio Silva de Souza, de 23 anos, em Feira de Santana, no interior da Bahia. O auxiliar de serviços gerais estava numa pousada e pretendia fugir para a casa de familiares no Ceará.

O delegado Maurício Luciano, da 17ª DP (São Cristóvão), concluiu as investigações do caso no dia 13 de fevereiro. De acordo com o delegado, as imagens divulgadas pela imprensa apontaram que Caio e Fábio dispararam juntos o rojão que atingiu Santiago Andrade.


Os acusados estão presos no Complexo de Gericinó, em Bangu, zona oeste do Rio, onde aguardam o julgamento. Eles respondem pelos crimes de explosão e homicídio doloso triplamente qualificado, por motivo torpe, sem chance de defesa e com uso de artefato explosivo. A pena pode ser superior a 35 anos de prisão. Em agosto, o juiz Murilo Kieling, titular da 3ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio, definiu que a dupla será submetida a júri popular. A decisão ainda cabe recurso.

Morte gera comoção


A morte de Santiago Andrade gerou grande comoção, sobretudo, entre os profissionais da imprensa. Fotógrafos, cinegrafistas e jornalistas participaram de ato em homenagem ao cinegrafista da TV Bandeirantes no local onde ele foi atingido pelo rojão. Câmeras e microfones foram colocados no chão em respeito ao colega morto.

De acordo com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), até a morte de Santiago, haviam sido registrados 117 casos de agressão a jornalistas desde a onda de manifestações que começou em junho de 2013. O cinegrafista foi o primeiro profissional da imprensa a morrer em decorrência de um protesto.


Santiago Andrade era considerado pelos colegas um profissional exemplar e um homem gentil. A filha de Santiago, Vanessa Andrade, que também é jornalista, escreveu um depoimento emocionado nas redes sociais.

'Hoje, eu disse adeus, só eu e ele. Com minha cabeça em seu ombro, falamos de muitas coisas. Eu pedi perdão pelas minhas falhas... Eu sei que ele está bem. Claro que ele está. E eu sou a continuação da vida dele".

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