Concursadas acusam comandante da PM do Rio de preconceito
PM afirma que número de mulheres na corporação vai aumentar
Rio de Janeiro|Do R7, Agência Brasil

Pelo menos 50 mulheres protestaram nesta terça-feira (22) por não terem sido convocadas para ocupar vagas na Polícia Militar do Rio. As manifestantes relataram que há três anos foram aprovadas em concurso público da corporação e até o momento não foram chamadas. O protesto ocorreu em frente ao quartel-general da PM, no centro da cidade.
Segundo elas, 6,5 mil candidatas aguardam convocação do concurso, feito em setembro de 2010. De acordo com a porta-voz do grupo, Tássia Costa, nos últimos três anos cerca de 24 mil candidatos do sexo masculino foram aprovados, enquanto 3.945 mulheres foram convocadas pela PM.
— Não houve proporcionalidade no momento da convocação dos candidatos. o estado não quer mulher na corporação. Infelizmente, existe um preconceito muito grande no meio militar com as mulheres.
A porta-voz do grupo também acusou o comandante-geral da PM, Luiz Castro, de discriminação. Segundo ela, o comandante disse, em reunião na última sexta-feira (10), que as mulheres "não teriam capacidade física e mental para serem policiais".
A Comissão de Direitos Humanos da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) informou que enviará ofícios à Secretaria Estadual da Casa Civil, à Secretaria de Planejamento e à Corregedoria da Polícia Militar, pedindo esclarecimentos a respeito da possível discriminação sofrida pelas mulheres para ingressar na corporação. Em nota, a PM informou que não comentará a decisão da comissão.
Sobre a reunião com as mulheres, a polícia destacou que o comandante-geral, Luiz Castro, estimulou a participação delas no concurso que será aberto em maio ou junho deste ano. Com relação às acusações de discriminação, o comandante nega a informação e disse, segundo a nota, que não admite qualquer tipo de preconceito ou discriminação por gênero.
A PM informou que o comandante apenas disse que a atividade policial, em sua maioria, demanda esforços que são mais afeitos ao gênero masculino. A polícia também disse que até o momento, foram convocados 11.500 homens e 1.500 mulheres do concurso de 2010, e que o número de 24 mil homens e 3.945 mulheres não está correto.
O critério é definido em edital pela Administração Pública, de acordo com as demandas que a Segurança Pública exige. A polícia ressaltou que, desde 2007 até janeiro de 2014, houve aumento de 89 % do efetivo feminino: em 2007, o PM contava com um efetivo feminino era de 2.034. Agora, a corporação têm 3.850 mulheres, número que vai aumentar, segundo a PM.














