CPI dos Autos de Resistência ouve PMs suspeitos de matar cinco jovens fuzilados no Rio
Comissão quer saber porque policiais efetuaram disparos sem contato com as vítimas
Rio de Janeiro|Do R7

Os quatro policiais militares presos após fuzilarem o carro onde estavam cinco jovens que morreram em Costa Barros são ouvidos, nesta sexta-feira (4), pela CPI (Comissão de Parlamentar de Inquérito) dos Autos de Resistência. Os integrantes da comissão devem ouvir os agentes na penitenciária Vieira Ferreira Neto, em Fonseca, Niterói.
De acordo com Rogério Lisboa (PR), deputado presidente da CPI, o objetivo é entender o motivo dos disparos.
—A gente quer saber como esses policiais eram orientados para abordagens; qual a orientação para agir em casos de confrontos e qual o real motivo dos disparos sem qualquer contato preliminar com os jovens.
A Polícia Militar também anunciou que deve ouvir hoje mais dois PMs que podem estar envolvidos na ação que terminou na morte de cinco jovens em Costa Barros, zona norte do Rio, no fim da noite de sábado (28). De acordo com a corporação, a Corregedoria Interna convocou um major e um capitão que teriam acionado a viatura do batalhão de Irajá (41º BPM) para recuperar um caminhão de bebidas roubado pouco antes do carro onde estavam os cinco jovens ser fuzilado.
Segundo versão preliminar dos PMs presos preventivamente, eles teriam trocado tiros com supostos criminosos envolvidos no roubo desse caminhão. O funcionário da empresa Ambev que conduzia o veículo contou à Delegacia de Roubos e Furtos de Carga queos policiais o escoltaram após a carga do caminhão ser saqueada e retornaram para os arredores da Pedreira.
De acordo com a PM, após os esclarecimentos dos dois agentes que teriam acionado a viatura, eles devem ser submetidos a um processo administrativo disciplinar.
Na quarta-feira (2), a Polícia Civil realizou perícia complementar no carro onde os cinco jovens foram fuzilados. Segundo a delegacia da Pavuna (39ª DP), o laudo deve sair entre 15 e 30 dias. Sobre a primeira perícia, realizada logo após o crime, ainda não há previsão de quando o laudo deve sair.
Os peritos querem confirmar quantos tiros atingiram o veículo em que os rapazes estavam, além de comprovar laudo do Instituto Médico Legal de que as vítimas foram alvejadas pelas costas.
Não foi encontrada nenhuma cápsula deflagrada dentro do veículo, o que comprova que os jovens estavam desarmados.
Na terça-feira (1º), o juiz do Plantão Judiciário Sandro Pitthan Espíndola mudou para preventiva a prisão em flagrante dos quatro policiais militares suspeitos de matar os cinco jovens próximo ao Morro da Lagartixa no último sábado (5).
Manifestação
Centenas de jovens foram às ruas da zona norte do Rio de Janeiro nesta quinta-feira (3) em protesto após a morte dos cinco jovens negros no último sábado (30). O grupo caminhou com cartazes em repúdio à ação de quatro policiais militares que fuzilaram o carro em que os rapazes estavam em Costa Barros, também na zona norte. Vestidos de preto, participantes do “Ato Contra o Genocídio da Juventude Negra” saíram do viaduto Negrão de Lima em direção ao Parque Madureira, o mesmo onde os cinco meninos fizeram o último passeio antes de serem mortos.
De acordo com os autos processuais, os jovens tinham feito um passeio no parque e, em seguida, resolveram sair para lanchar quando foram surpreendidos pelos tiros disparados por PMs na estrada João Paulo. Wilton Esteves Domingos Júnior, de 20 anos, Wesley Castro Rodrigues, de 25 anos, Cleiton Corrêa de Souza, de 18 anos, Carlos Eduardo da Silva de Souza, de 16 anos, e Roberto de Souza Penha, de 16 anos, foram mortos após terem o carro fuzilado próximo ao Complexo da Pedreira.















