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Em silêncio, torcedores argentinos deixam 'quartel-general' no Rio

Às vésperas da final, mais de 400 veículos argentinos ficaram estacionados no sambódromo

Rio de Janeiro|Do R7

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Os últimos carros argentinos que ainda estavam estacionados na praça da Apoteose deixaram o local nesta segunda-feira
Os últimos carros argentinos que ainda estavam estacionados na praça da Apoteose deixaram o local nesta segunda-feira

A segunda-feira (14) no Terreirão do Samba e no sambódromo, transformados em quartel-general da torcida argentina nos últimos dias, foi melancólica. As músicas de provocação e o agitar de bandeiras foram substituídos pelo movimento de quem arrumava bagagem. Quase em silêncio.

Mas o clima não era de tristeza — os argentinos se disseram satisfeitos com a atuação da sua seleção e agradecidos pela hospitalidade. Ainda assim, alguns torcedores mais exaltados picharam a Passarela do Samba com agressões a Pelé e referências ao placar humilhante da derrota do Brasil para a Alemanha.


— Estou feliz. Estou no Rio de Janeiro—, reagiu com bom humor o argentino de Córdoba Mateo Farías, de 23 anos, ao ser perguntado se ficou frustrado com a derrota da sua seleção.

—Jogamos melhor. Foi uma fatalidade. Cinco minutos em que tudo se resolveu pra Alemanha—, afirmou.


Ele viaja de carona há um mês e meio e decidiu aproveitar o prazo que a prefeitura deu, para que os turistas deixassem o acampamento na Quarta-feira.

— Vamos ficar. Depois decidimos pra onde vamos. Queremos conhecer Paraty", disse Córdoba, que viaja com uma amiga e dois amigos e nesta segunda-feira, 14, jogavam cartas para matar o tempo.


O casal Marta Altamirano, de 60 anos, e Hugo Paschetta, de 58, também decidiu esticar a viagem até a cidade da Costa Verde. Eles saíram da região da Patagônia argentina e dirigiram mais de 3.500 quilômetros. Aqui, encontraram a filha e o genro, que também viajaram pelo Brasil. Outro filho viajou de avião, de Buenos Aires para o Rio, para assistir à final com o pai no Maracanã.

Um grupo de amigos de Concepción del Uruguay, na província argentina de Entre Ríos, teve a partida atrasada. Eles estavam na praia de Ipanema, na zona sul, na véspera da final, quando foram furtados, ao se verem cercados por vendedores. Perderam a mochila, com algum dinheiro e as chaves do carro. Pagaram R$ 600 para um chaveiro abrir o veículo.


Ainda assim, Guillermo Barcos, de 32 anos, acha que a viagem valeu a pena.

— Era um sonho: conhecer o Rio e participar da Copa. Perdemos bem. Merecíamos ganhar—, afirmou o argentino, que viajou com 9 amigos em dois carros. Eles assistiram aos jogos na Fan Fest.

— Teve muita provocação entre argentinos e brasileiros. Quando saímos da Fan Fest, algumas pessoas gritavam 'cuidado' e 'corre'. Logo depois a polícia encheu a rua de gás. Mas não sabemos o que aconteceu—, contou Belen Sittoni, de 28 anos. Ela disse que não viu brigas no acampamento no Sambódromo.

As brigas se concentraram na Fan Fest. O grupo Monobloco chegou a interromper a apresentação e pedir calma. Mas de acordo com a delegada Thaiane Moraes, titular da Delegacia de Copacabana (12ª DP), não houve registro de boletim de ocorrência.

— Alguns foram trazidos para a delegacia para acalmar os ânimos. Como nenhum tinha ficha na polícia, foram liberados.

Ao todo, 400 veículos ocuparam o sambódromo e outros 140 ficaram no Terreirão. A maioria já havia deixado os espaços no início da tarde desta segunda. O acampamento na Feira de São Cristóvão já havia terminado.

Já na orla de Copacabana, os engenheiros Jurgen Lukert, de 46 anos, e Berhard Beuter, de 45, exibiam com orgulho a camisa da seleção campeã.

— Amei ganhar aqui no Brasil. Nossa equipe foi muitas vezes muito perto. Nós amamos o Brasil e acho que conquistamos o seu povo—, afirmou Lukert.

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