Empresa vai ser indiciada por omitir informação de segurança a turistas
Motorista e guia também serão indiciados, diz delegada
Rio de Janeiro|Do R7 com Record TV Rio

A delegada Valéria Aragão, titular da Deat (Delegacia de Atendimento ao Turista) afirmou que a polícia vai responsabilizar os sócios da empresa de turismo Rio Carioca Tur, a guia e o motorista pela morte da turista espanhola María Esperanza Jiménez Ruiz, de 67 anos, na segunda-feira (23), na favela da Rocinha. Em entrevista a Record TV, a delegada contou que a Polícia Civil está empenhada também em responsabilizá-los criminalmente a altura do ato praticado.
De acordo com a delegada, o grupo vai ser indiciado por omissão de informações de segurança. O crime, que está previsto no artigo 66 do Código de Defesa do Consumidor, tem como pena detenção de três meses a um ano e multa. Para Valéria, o "relato mentiroso" da guia e a impossibilidade dos turistas de fazerem uma escolha que não o colocassem em risco não pode ficar "impune".
Em depoimento, a guia Rosângela Cunha alegou que percebeu a presença de blindados e um efetivo policial acima do normal e que, por isso, acreditou que essa situação fosse lhe dar mais segurança. Durante o interrogatório, Rosângela afirmou que ligou para moradores da comunidade para saber como estava a situação na comunidade e que um guia local disse que ela poderia fazer o passeio. Esse último já foi ouvido pela polícia e negou a versão dada por Rosângela. Segundo a delegada, o guia residente não aconselhou a ida do grupo para a Rocinha.
A cunhada de María Esperanza também prestou depoimento e disse que o grupo não foi alertado dos riscos de entrar na comunidade. Ela também afirmou que cada um pagou R$ 140,00 pelo passeio.
Turista morta
María Esperanza Jiménez Ruiz, de 67 anos, estava com um grupo de mais quatro pessoas, que seriam uma guia, um motorista, o irmão e a cunhada. O carro passava pela estrada da Gávea, que corta a comunidade, quando foi atingido. María foi atingida no pescoço e não resistiu.
Na versão apresentada pelos policiais, o carro onde os turistas estavam teria desobedecido à ordem de parada e furado uma blitz da Polícia Militar, no Largo do Boiadeiro, na parte baixa da favela da Rocinha. Um vídeo mostra o momento em que os militares correm atrás do veículo. No entanto, o motorista negou, em depoimento, que tenha visto o bloqueio policial. Parentes da turista deram mesma a versão.
A assessoria do Grupo Rio Carioca Tour emitiu nota informando que “não recebeu qualquer informação da polícia sobre confrontos ou problemas na comunidade”. Questionada pela reportagem do R7, a empresa explicou que "as informações são colhidas com antecedência de 24h, e sempre no próprio dia das visitas são feitas novamente consultas, inclusive com moradores da comunidade". Ainda segundo a Rio Carioca Tour, "na véspera e no próprio dia da visita, inclusive quando o motorista do veículo foi abordado pela PM, não houve alerta de perigo ou proibição de entrar na favela".
Assista ao vídeo:















