Ex-presidente do Rioprevidência é denunciado pelo MPF por tentar atrapalhar investigação
Investigação aponta desligamento de câmeras e retirada de bens para ocultar provas
Rio de Janeiro|Do R7

Quatro pessoas foram denunciadas pelo MPF por suspeita de obstrução à Justiça, entre elas o ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes. Segundo o MPF, Deivis é suspeito de ter mandado desligar as câmeras de segurança do prédio onde mora para retirar malas e pastas com documentos antes da chegada da Polícia Federal. Quando os agentes cumpriram mandado de busca e apreensão no apartamento, nenhum documento do Rioprevidência foi encontrado.
O instituto é alvo de investigação da Polícia Federal por investimentos de R$ 970 milhões no Banco Master.
De acordo com a denúncia, houve divisão de tarefas e atuação coordenada entre os envolvidos para dificultar as investigações. Durante a operação da PF, realizada em 23 de janeiro, a estratégia teria atrasado a ação policial, e o apartamento de Deivis já estava praticamente vazio quando os agentes conseguiram entrar.
Para os investigadores, as ações não foram coincidência. Em menos de dez dias, câmeras teriam sido desligadas, imagens apagadas e bens retirados do local com o objetivo de ocultar provas.
Entre os denunciados está Bruno Elias Hins, responsável pela empresa de segurança do prédio, suspeito de apagar imagens das câmeras internas a pedido de Deivis. Já Aroldo Morais Elliot, motorista do ex-presidente, é acusado de ter levado um Porsche do Rio de Janeiro para Santa Catarina, numa tentativa de evitar a apreensão do veículo.
Segundo a Polícia Federal, embora o carro esteja em nome de Rodrigo Schmitz, ele seria utilizado por Deivis e pela esposa.
O MPF afirma que as ações tiveram como objetivo driblar a Polícia Federal e atrapalhar o andamento das investigações.
Relembre o caso
O ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, foi preso pela Polícia Federal em 3 de fevereiro de 2026, durante a segunda fase da Operação Barco de Papel. Ele foi detido após retornar dos Estados Unidos, enquanto seguia de São Paulo para o Rio de Janeiro.
A investigação apura irregularidades nos investimentos do fundo de previdência dos servidores do Estado do Rio de Janeiro, incluindo a aplicação de cerca de R$ 970 milhões no Banco Master. Segundo a Polícia Federal, há indícios de gestão irregular e tentativas de ocultação de provas.
De acordo com os investigadores, Deivis teria retirado documentos e bens pouco antes do cumprimento de mandados de busca e apreensão, numa tentativa de dificultar as investigações.
Em 19 de março de 2026, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu manter a prisão preventiva de Deivis. O ministro Carlos Pires Brandão negou o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa, ao considerar que há risco de obstrução das investigações e de interferência na coleta de provas.
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