Família de ciclista atropelado por Thor Batista entra com ação nesta sexta para cobrar indenização de R$ 500 mil
Motivo do processo é quebra de sigilo sobre acordo pago por empresário aos parentes da vítima
Rio de Janeiro|Do R7

A família do ciclista Wanderson Pereira dos Santos, que morreu após ser atropelado pelo empresário Thor Batista em março de 2012, vai entrar com uma ação nesta sexta-feira (7) para cobrar uma multa no valor de R$ 500 mil devido à quebra do sigilo de um contrato indenizatório. O título executivo extra oficial foi assinado pelo empresário e pelos parentes da vítima cinco dias depois do acidente, na rodovia Washington Luís, na altura de Xerém, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
De acordo com este contrato, os familiares de Wanderson e o advogado receberam de Thor e do pai, o empresário Eike Batista, um valor de R$ 1 milhão. Este foi divido em quatro partes: o advogado Cleber Carvalho recebeu uma quantia de R$ 270 mil; a tia, Maria Vicentina Pereira, R$ 315 mil; a viúva, Cristina dos Santos Gonçalves, R$ 315 mil e o genro dela, o bombeiro Márcio Tadeu Rosa da Silva, R$ 100 mil.
Segundo o acordo, nenhuma das partes poderia divulgar o conteúdo, sob a condição de arcar com uma multa de R$ 500 mil. Mas, após um ano, Thor declarou em juízo ao MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) que havia dado R$ 300 mil à família de Wanderson como forma de auxílio, encerrando o sigilo. Com a divulgação do fato, os parentes do ciclista resolveram entrar com uma ação de quebra do contrato, requerendo a indenização, além de pretenderem processá-lo por danos morais - já que ficaram expostos diante da revelação.Mas a defesa de Thor alega que a informação foi divulgada pelo MP-RJ.
Na quarta-feira (5), Thor Batista foi condenado por homicídio culposo - quando não há intenção de matar - a dois anos de serviços comunitários. Além disso, ele terá de pagar uma multa de R$ 1 milhão a uma instituição de caridade e teve o direito de dirigir suspenso por dois anos. A sentença foi decretada pela juíza Daniela Barbosa Assumpção de Souza, da 2ª Vara Criminal de Duque de Caxias.
Em abril, Thor Batista afirmou, em depoimento à Justiça, que o acidente "foi inevitável".
Acordo entre famílias será investigado
A juíza também descreveu na sentença que o acordo entre as partes teve indícios criminosos. Com isso, ela pediu que o MP-RJ apure a participação ilegal das pessoas envolvidas no contrato após o acidente. Poderão ser julgados João Miguel Resende Ribeiro (policial rodoviário federal), Márcio Tadeu Rosa da Silva (bombeiro), Eike Batista, Thor Batista, Maria Vicentina Pereira (tia) e Cristina dos Santos Gonçalves (viúva).
Segundo o advogado da família do ciclista, Cleber Carvalho, esta parte da sentença foi dada por causa do dinheiro que o bombeiro Márcio Tadeu recebeu. De acordo com Cleber, a omissão nos autos do processo de que Márcio seria genro da tia da vítima teria causado um desentendimento. Algo que levou a juíza a interpretar que Márcio estaria atuando como profissional ao receber o dinheiro.
Contra esta determinação de investigação, Cleber disse que vai recorrer para excluir essa parte da sentença. O que ele alega é que Márcio ganhou R$ 50 mil da viúva e a mesma quantia da tia de Wanderson por ter ajudado a família após ter acontecido o acidente.
— Ele não recebeu na qualidade de bombeiro militar e sim de genro.
Cleber ainda reforça que Márcio não estava trabalhando no dia do acidente e que ele pertence ao Batalhão do Corpo dos Bombeiros da Ilha do Governador (19º GBM), logo não poderia estar servindo no local.
* Colaborou a estagiária do Portal R7, Larissa Kurka















