Logo R7.com
RecordPlus

Festa literária na Maré faz pacificação com livros, diz organizador

Evento reúne moradores, escritores da comunidade e outros consagrados

Rio de Janeiro|Do R7, com Agência Brasil

  • Google News

Identificar novos escritores, novas histórias e cenários, promovendo perspectivas inovadoras de narração. Essa é a ideia da Festa Literária das Periferias, Flupp Brasil, que chega ao Complexo de Favelas na Maré, na zona norte. O evento vai reunir, até o sábado (7), escritores da comunidade, moradores e profissionais já consagrados. Um elemento de estímulo aos debates é a participação de escritores de países que disputarão a Copa do Mundo, como Itália, Alemanha e Costa do Marfim.

A festa, que este ano passou por Curitiba, Salvador e São Paulo, vai revelar 40 autores que terão textos publicados. Com a edição na Maré e mais uma etapa na comunidade Mangueira, no segundo semestre, a ideia é editar dois livros com novos autores. De acordo com um dos criadores da Flupp, Julio Ludenir, a literatura brasileira precisa de diversidade. Na avaliação dele, as narrativas atuais são baseadas em único ponto de vista.


— Estamos procurando o que não é mais do mesmo. A literatura brasileira, há 200 anos, é do branco, homem, macho, de classe média.

Segundo Ludenir, há um “monopólio de narrativas” que deve ser superado.


— Temos que ir além do Manoel Carlos [escritor de novelas ambientadas no Leblon, bairro carioca de classe alta] e dialogar com o país.

Ele disse que, na Flupp, são identificados poetas, contistas e romancistas das comunidades.


— Descobrimos uma senhora mineira de 84 anos na Maré que está escrevendo. Tem muita gente produzindo literatura de um novo ponto de vista nas áreas periféricas da cidade e que não foram descobertas. O potencial é grande, nós que não tivemos condições de captar tudo.

A festa literária começou na quinta-feira (5) com um jogo de futebol entre 18 escritores alemães e um time de ativistas de direitos humanos, funkeiros, moradores e escritores da Maré.


— A palavra 'alemão' é usado no jargão da guerra do tráfico para designar 'inimigo'. Mostramos que aqui ninguém é inimigo. Tem diversidade, mas não adversidade.

A comunidade da Maré foi escolhida, segundo ele, para mostrar “que nem toda pacificação precisa ser feita com fuzis”.

— O processo de pacificação não precisa ser refém do Exército ou de uma política militar que não dialogue com a sociedade. É possível lidar com a diversidade, sem que para isso seja preciso estar com um carro blindado e um fuzil. Um livro pode ser uma 'arma'.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.