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Mães de bebês mortos denunciam descaso de maternidade no Rio

Por conta de complicações, partos chegaram a durar 30 horas

Rio de Janeiro|Do R7

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Mães denunciaram mortes de bebês em maternidade do Rio
Mães denunciaram mortes de bebês em maternidade do Rio

Quatro crianças morreram durante o parto na maternidade Maria Amélia Buarque de Hollanda, no centro do Rio. Os pais das crianças denunciam o hospital por negligência. Em entrevista ao Balanço Geral RJ(assista ao vídeo abaixo), as mães disseram que em todos os casos a gravidez foi prolongada e os partos chegaram a durar até 30 horas. Os casos foram registrados na 5ª DP (Mem de Sá).

Na quarta-feira (2), Carla Marins da Silva, que estava na 40ª semana de gestação, deu entrada no hospital com contrações, mas foi liberada porque ainda não tinha dilatação suficiente para ter o filho. A mulher voltou para casa, porém não aguentou as dores e retornou ao hospital.


O parto normal durou 15 horas. O bebê foi direto para a UTI neonatal, mas, após três dias, não resistiu a complicações e morreu na segunda-feira (7). Os pais alegam que a gravidez foi perfeita e que a culpa pela morte foi do parto mal feito.

Esta foi a segunda morte de um recém-nascido em menos de uma semana naquela maternidade. A reportagem da Record mostrou o drama de Michele da Silva, que também viu o filho morrer após realizar um parto normal complicado.


Segundo a mãe, o trabalho de parto durou 16 horas e, apesar dos apelos dela, os médicos demoraram a fazer uma cirurgia cesariana. Ela contou que quase não suportou as dores e que a equipe só optou pela operação quando o filho já estava com complicações.

Michele e o marido dizem que houve negligência por parte do hospital, que é ligado à rede municipal de saúde. Isabela nasceu com 54 cm e 3 kg, mas sem batimentos cardíacos. Ela foi reanimada e internada na UTI neonatal, mas, quatro dias depois, não resistiu a duas paradas cardíacas.


As mães dizem que a técnica utilizada pelos médicos é muito agressiva e ultrapassada. De acordo com Carla, os responsáveis pelo parto teriam se apoiado sobre a barriga dela para forçar a saída do bebê. Eles também teriam usado um aparelho para puxar a criança. Carla também disse que foi chamada de frouxa quando pediu para que os médicos fizessem uma cesariana, mas eles teriam dito que na unidade eles só realizavam parto normal.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde disse que “o Hospital Maternidade Maria Amélia Buarque de Hollanda (HMMABH) realiza cerca de 450 internações obstétricas por mês, conta com excelente estrutura em termos de equipe clínica e equipamentos e apresenta indicadores de qualidade que vêm sendo reconhecidos pelo Ministério da Saúde e por instituições internacionais, como a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS). Dentre esses indicadores está a taxa de asfixia abaixo de 1,5% em bebês com peso ao nascer maior de 2,5kg”.


A secretaria também informou que “todos os óbitos materno-infantis são investigados por comissões, tanto na unidade onde o fato ocorreu quanto na Secretaria Municipal de Saúde”.

Sobre o caso de Carla, a secretaria disse que quando deu entrada, a paciente não estava em trabalho de parto, apesar do rompimento da bolsa. A secretaria informou que Carla “foi internada para acompanhamento com cardiotocografia para avaliação do bem-estar fetal, com padrão tranqüilizador. Apresentou evolução espontânea do trabalho de parto e, às 13h45 do dia 4 de outubro, ocorreu nascimento, de parto normal, que evoluiu com síndrome de aspiração meconial. O recém-nascido foi internado na UTI Neonatal, falecendo nesta segunda-feira, dia 7”.

A nota também ressalta que “a presença de mecônio (fezes do bebê) no líquido amniótico, segundo a literatura médica especializada, pode ocorrer em cerca de 10% do total de nascimentos e, por isso, a simples presença de mecônio, sem que haja frequência cardíaca fetal não tranquilizadora, não indica necessidade de cesariana. A síndrome de aspiração meconial é um quadro que pode ocorrer em até 20% dos partos com presença de mecônio no liquido amniótico (ou seja, 20% dos 10% dos nascimentos com a presença de mecônio)”.

Veja a entrevista:

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