Rio de Janeiro Manifestantes da zona oeste fazem protesto por melhorias em ciclovias

Manifestantes da zona oeste fazem protesto por melhorias em ciclovias

Moradores de Jacarepaguá e Vargem Grande denunciam mau estado de pistas e reclamam de falta de opções de trajetos 

Moradores de Jacarepaguá fizeram movimento

Moradores de Jacarepaguá fizeram movimento

Divulgação/Associação de Moradores da Freguesia

Ciclistas da zona oeste do Rio de Janeiro realizaram, neste domingo (7), um ato pedindo por ampliação e melhorias nas ciclovias da região. O protesto, que consistiu em uma pedalada, ocorreu na Freguesia.

O movimento foi organizado pela Amaf (Associação de Moradores da Freguesia) e teve apoio da CET-Rio, do 18º BPM e da Guarda Municipal.

O analista de sistemas André Moreira, de 50 anos, foi um dos participantes do ato. Morador da Taquara, também na zona oeste, ele utiliza a bicicleta como lazer, mas gostaria de adotá-la como meio de transporte preferencial. Ele conta que vendeu o carro que possuía e tentou utilizar as ciclovias como principal meio de locomoção, mas não deu certo.

“Algumas ciclovias, como a que passa pela estrada dos Bandeirantes, têm trechos tão ruins que parecem feitos para mountain bike. As pessoas acabam preferindo ir pela rua, junto aos carros.”
André também critica a má conservação da ciclovia que acompanha a avenida Ayrton Senna, na Barra da Tijuca.

Trecho com buracos na ciclovia da estrada dos Bandeirantes, em Vargem Pequena

Trecho com buracos na ciclovia da estrada dos Bandeirantes, em Vargem Pequena

Reprodução

Segundo ele, quando inaugurada, a via era funcional e era possível ir até a praia de forma “agradável”. No entanto, diz que a implantação do BRT interrompeu trechos da pista, que passaram a ser compartilhados com carros, tornando o percurso mais perigoso.

O ciclista também é participante do Bike Anjo, projeto de voluntários que ajudam pessoas a aprenderem a andar de bicicleta. “As pessoas têm medo e no projeto tentamos fazê-las perder esse medo. Mas, para isso, a cidade precisa ter estrutura para os ciclistas andarem com segurança.”

Trecho acidentado na av. Salvador Allende

Trecho acidentado na av. Salvador Allende

Reprodução

Para o caseiro Alessandro Carvalho, de 45 anos, a bicicleta é uma ferramenta de trabalho. Ele usa o veículo de segunda a sábado para realizar o percurso de sua casa, na Gardênia Azul, até a Barra da Tijuca, onde trabalha, há mais de 20 anos. O trajeto melhorou com a inauguração da ciclovia há alguns anos, mas a falta de manutenção da via vem trazendo problemas.

“Quando inaugurou, era uma maravilha, mas nunca mais teve manutenção. A Record TV fez uma reportagem há um tempo e aí a prefeitura fez uma 'meia-boca' no trecho que apareceu na TV. Mas os problemas no resto da ciclovia continuam.”.

Fios caídos na ciclovia da av. Ayrton Senna

Fios caídos na ciclovia da av. Ayrton Senna

Reprodução

De acordo com Alessandro, o trecho da avenida Ayrton Senna tem buracos e fios soltos que foram deixados por uma empresa de telefonia após um reparo. Ele também conta que a prefeitura realizou reparos na pista, mas deixou para trás os restos do trabalho, como blocos de concreto. Além disso, o asfalto que teria sido colocado recentemente pelo município já estaria quebrando.

A professora Mônica Soares, de 52 anos, é administradora do grupo Taquara Bike Rio e, assim como André, gostaria de usar a bicicleta como transporte diário. Além de apontar o mau estado das ciclovias, ela destaca a falta de opções de trajeto para ciclistas como o principal problema. “Eu uso para lazer porque para trabalhar não tem ciclovia.”

Ela se diz esperançosa com o plano de ampliação da malha cicloviária, decretado no dia 22 de setembro, que determina a elaboração de um Plano Cicloviário no qual será definida a construção de ciclovias, ciclofaixas, faixas compartilhadas, além de estacionamentos de bicicletas.

Ciclovia na 
estrada Meringuava, na Taquara, por onde Mônica costuma passar

Ciclovia na estrada Meringuava, na Taquara, por onde Mônica costuma passar

Reprodução

Além disso, o projeto prevê conexões cicloviárias entre as zonas norte, oeste e sul da cidade. De acordo com o decreto, o Plano Cicloviário deverá ser concluído em até 360 dias. "Com certeza será um ganho gigantesco para os ciclistas que utilizam suas bikes para o lazer , esporte e também como meio de transporte", diz a professora. 

Rio Morto

Ciclovia na estrada do Rio Morto é demanda antiga

Ciclovia na estrada do Rio Morto é demanda antiga

Reprodução

Ainda na zona oeste, moradores de Vargem Grande aguardam há seis anos pela conclusão da ciclovia na estrada do Rio Morto, uma demanda antiga dos ciclistas da região.

No dia 25 de setembro, o prefeito Eduardo Paes esteve reunido com representantes locais e secretários do município para anunciar formalmente a retomada das obras, interrompidas em 2015 poucos meses após a construção de um pequeno trecho, que ligava a praia do Pontal, no Recreio, ao início da estrada.

A continuação das obras faz parte do plano de ampliação da prefeitura. Apesar de ainda possuírem incertezas, moradores acreditam que o projeto irá finalmente ver a luz do dia.

O consultor corporativo Carlos Augusto do Nascimento, de 49 anos, é uma das pessoas que lutou para que o bairro ganhasse a ciclovia. Ele já foi presidente da Amavag (Associação de Moradores e Amigos  de Vargem Grande) e compareceu a diversos eventos que pressionaram o poder público para a realização do projeto.

Segundo Carlos, o maior deles, em 2015, motivou uma reunião com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Na ocasião, foi anunciado o início das obras, que começariam da estrada dos Bandeirantes no sentido praia. Entretanto, a construção foi iniciada no sentido oposto e interrompida após contemplar dois condomínios de alto padrão que existem na estrada.

De acordo com Carlos, a obra foi interrompida sob alegações de superfaturamento e falta de verbas. A falta de uma ciclovia na estrada, estreita e de mão dupla, se tornou uma preocupação cada vez maior.

“Fizemos uns três ou quatro movimentos. O maior foi o de 2015, antes do início das obras. A luta engrossou a partir de 2014, quando a estrada começou a ficar mais movimentada, principalmente no verão, e os acidentes com ciclistas passaram a aumentar”, conta o consultor.

Nascida e criada no bairro, a atual vice-presidente da Amavag, Sarah Rubia, diz que acidentes com ciclistas no Rio Morto são comuns: “já presenciei criança sendo atropelada ali. Muitas pessoas têm que fazer o trajeto para trabalhar ou levar os filhos na escola.”

Sarah aponta ainda o esquecimento da região pelo poder público: "Vargem está abandonada, diversas ruas estão sem calçamento e os pedestres têm que dividir espaço com ônibus. A área do Rio Morto é muito deserta também. Mas acho que dessa vez conseguiremos a ciclovia. Para não ser feita agora, só com muita má vontade."

O que a prefeitura diz

Em relação aos buracos, a Secretaria Municipal de Conservação informou que mandará uma equipe aos trechos citados das ciclovias, a fim de fazer vistoria e tomar as providências cabíveis.

A Rioluz declarou que mantém uma rotina de fiscalização diária de seus equipamentos e frisa que apenas 15% de todos os postes da cidade são de sua competência e afirmou que as redes aéreas nos logradouros citados não pertencem à empresa.

Questionada sobre o Plano de Mobilidade Urbana Sustentável, a Secretaria Municipal de Transportes informou que o projeto está em desenvolvimento e a rede será validada com a contribuição da sociedade civil em momento oportuno.

Procurada pelo R7, a Prefeitura do Rio não respondeu às alegações de superfaturamento das obras da ciclovia na estrada do Rio Morto. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente, responsável pela retomada da construção, não informou quando as obras serão reiniciadas no local. 

*Estagiário do R7, sob supervisão de Bruna Oliveira

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