MP analisará vídeos para identificar PMs que teriam atirado contra jornalista em desocupação no Alemão
Repórter prestou depoimento nesta terça-feira e entregou imagens feitas no local
Rio de Janeiro|Do R7

O MPRJ (Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro) vai analisar vídeos gravados pelo repórter do jornal O Globo para identificar PMs que teriam atirado contra o profissional durante desocupação de uma comunidade no Complexo do Alemão, zona norte do Rio, no último sábado (1º). O jornalista prestou depoimento à 2ª Promotoria de Justiça junto à Auditoria da Justiça Militar nesta terça-feira (4) e entregou imagens feitas no local.
Os vídeos passarão por perícia da Coordenadoria de Segurança e Inteligência, do MP. O órgão pediu à Corregedoria da Polícia Militar para instaurar inquérito a fim de apurar a denúncia de violência policial durante operação de remoção de ocupantes de terreno conhecido como Favelinha da Skol, na avenida Itaoca, um dos acessos à comunidade Nova Brasília.
De acordo com o MP, o repórter teria chegado ao local à tarde para conversar com moradores após denúncias de violência policial durante a desocupação na parte da manhã.
O jornalista teria dito que, enquanto entrevistava as pessoas que estavam no local para tentar recuperar pertences em meios aos destroços deixados pela operação, os policias que teriam chegado em diversas viaturas da PM jogaram bombas de gás lacrimogêneo na multidão. O profissional também disse que, enquanto filmava um homem sendo espancado, teria sido alvo de disparos.
O MP acompanhará o desenvolvimento das investigações da Corregedoria da PM.
A desocupação também foi marcada pela prisão de outros dois jornalistas. Rene Silva, fundador e editor-chefe do jornal comunitário A Voz da Comunidade, e seu irmão, Renato Moura, fotógrafo e midiativista, foram detidos enquanto filmavam a remoção da comunidade. Segundo a PM, eles foram levados para a 45ª Delegacia de Polícia e detidos por desacato e desobediência.
A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) chegou a emitir uma nota repudiando a prisão dos dois integrantes do jornal comunitário. De acordo com a associação, “é extremamente grave que a Polícia Militar do Rio de Janeiro tenha atentado contra a liberdade de imprensa e violentado o direito à informação. O equipamento de um jornalista nunca pode ser apreendido, sob nenhuma hipótese”.















