PMs suspeitos de fuzilar 5 jovens usaram viatura sem GPS e câmera
Polícia apura se uso de carro reserva tem relação com interesses particulares de oficiais
Rio de Janeiro|Maria Mazzei, da Rede Record

A polícia investiga por que os quatro PMs suspeitos de fuzilar e matar cinco jovens negros em Costa Barros, zona norte do Rio, usavam na noite de 28 de novembro uma viatura reserva do 41º Batalhão de Polícia Militar. O veículo não tinha GPS nem câmera. Essa informação foi confirmada pela Polícia Militar ao delegado Rui Barbosa, da 39ª DP (Pavuna).
Leia também: PMs sorriram após fuzilar cinco jovens em Costa Barros, diz testemunha
Os investigadores já sabem que um major do batalhão onde esses PMs eram lotados presta serviço de segurança para uma transportadora. Ele será ouvido nesta semana pela Polícia Civil.
No dia do crime, a empresa do major era responsável pela escolta de caminhões de uma transportadora, entre eles, o caminhão da Ambev saqueado pouco antes da morte dos cinco jovens. Na mesma noite, o capitão Daniel, que estava de folga, telefonou para um dos policiais suspeitos e mandou que a guarnição fosse para o local onde aconteceu o saque. Em depoimento à polícia, o capitão admitiu ter dado a ordem aos policiais.
Os investigadores apuram se o uso do carro reserva do batalhão teve como objetivo ocultar interesses particulares dos oficiais, uma vez que a falta do GPS não registraria o percurso e a câmera não gravaria as conversas dentro da viatura.
Segundo o delegado, a perícia apurou que 111 tiros foram disparados (entre fuzil e pistola) contra o Palio branco onde estavam os rapazes — 63 atingiram o veículo. Em depoimento, os PMs alegam que houve confronto com traficantes e que o carro das vítimas estava na linha de tiro. A perícia também apontou que a viatura reserva da PM tinha dois tiros recentes na lataria, mas não soube precisar a data.
Rui Barbosa aguarda os laudos de local e da autópsia dos corpos dos rapazes para concluir o caso.
Os PMs Antônio Carlos Gonçalves Filho, Fábio Pizza Oliveira da Silva, Marcio Darcy Alves dos Santos e Thiago Resende Viana Barbosa estão presos preventivamente sob a suspeita de homicídio doloso e fraude processual.















