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Polícia faz operação contra compra irregular de vales no Rio

Agentes cumprem mandatos de busca e apreensão no Rio e na Baixada

Rio de Janeiro|Jaqueline Suarez, do R7

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Polícia investiga compra irregular de vales refeição, alimentício e transporte
Polícia investiga compra irregular de vales refeição, alimentício e transporte

A Polícia Civil faz uma operação contra a venda irregular de vales refeição, alimentação e transporte no Estado do Rio. A compra dos benefícios, segundo as investigações, seria usada para lavar de dinheiro. Os agentes cumprem mandados de busca e apreensão em vários bairros da capital e, também, em endereços na Baixada Fluminense. A ação desta quarta-feira (17) é um desdobramento da 1ª fase da Operação Fantoche, realizada em outubro passado.

A operação é resultado das investigações da Delegacia de Defraudações, em parceria com o MP-RJ (Ministério Público do Estado do Rio). De acordo com a Polícia Civil, os suspeitos criavam empresas fantasmas para conseguir o credenciamento de máquinas e, assim, conseguir efetuar a compra de vales alimentação e refeição. Para vender o benefício, o trabalhador pagava uma taxa entre 18 e 16%.


Empresas de ônibus também estão sob suspeita de fraude. Elas atuariam na compra dos benefícios de transporte. Policiais civis cumprem mandados de busca na sede de duas companhias em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

Ao todo, foram expedidos nove mandados de busca e apreensão pela 2ª Vara Criminal de Nova Iguaçu. Os agentes fazem ainda buscas em endereços residenciais e comerciais na Glória, Barra da Tijuca e Centro.


Sede do esquema

A partir dos documentos apreendidos na primeira fase da operação, os policiais identificaram mais de 130 empresas fantasmas, registradas em nome de mais de 50 "laranjas". Segundo a polícia, todas essas empresas são do ramo alimentício e várias possuem os mesmos sócios, além do mesmo endereço, apesar de não existirem fisicamente.


O maior escritório da quadrilha funciona em dois andares de um prédio comercial na rua da Quitanda, centro do Rio. A estrutura do local, segundo polícia, se assemelha à de uma agência bancária. Há dezenas de funcionários uniformizados, sete caixas para atendimento, organização eletrônica da fila, diversos computadores e aparelhos de ar condicionado, câmeras de monitoramento, acesso dos funcionários por senha eletrônica e segurança.

Apenas neste escritório, a compra ilegal de vales refeição e alimentação, movimento cerca de R$ 10 milhões por mês. Para Patrícia de Paiva Aguiar, da Delegacia de Defraudações, o local funciona como uma central da agiotagem no estado.


— As investigações revelaram que esse grande estabelecimento funciona como uma central, que dá suporte a pequenos escritórios de compra de tíquetes, de diferentes pontos do Rio e da Baixada Fluminense, que não têm estrutura organizacional para obtenção de maquininhas. Os escritórios menores recolhem os cartões de benefícios dos trabalhadores e enviam até essa Central, que faz as transações — explicou a delegada da Defraudações.

Transportes

A segunda fase da Operação Fantoche apura ainda indícios de participação de duas empresas de ônibus no esquema fraudulento de compra de vales transporte, acarretando também possível prejuízo aos cofres públicos. Segundo a polícia, o benefício é comprado dos trabalhadores a partir da cobrança de uma taxa de 50% e os créditos são descarregados nos validadores dos ônibus. Esse processo tem que ser feito aos poucos porque o vale transporte só pode ser usado oito vezes por dia.

As investigações revelaram que diversos cartões de trabalhadores foram usados, com diferença de poucos minutos, em linhas de ônibus desconexas, com rotas totalmente diferentes, inclusive, de outros municípios. O uso do benefício em linhas tão diferentes em poucos minutos sugere, segundo a Delegacia de Defraudações, que os validadores usados para descarregar os créditos não estão nos ônibus e sim em um mesmo ambiente, dentro das empresas. Com isso, elas recebem os valores das passagens sem custos operacionais e de manutenção.

— Estamos apurando se os cofres públicos foram lesados e em quanto, pois esse tipo de fraude atinge fortemente o Governo do Estado, que subsidia parte do valor da passagem, quando o passageiro usa o Bilhete Único no sistema de integração. Ou seja, o dinheiro público pode estar bancando viagens que não foram realizadas — destacou a delegada da Defraudações, Patrícia de Paiva Aguiar.

Os investigados podem responder pelos crimes de lavagem de dinheiro, estelionato, falsidade ideológica e crime contra a economia popular.

Na primeira fase da Operação Fantoche, a polícia civil cumpriu 46 mandados de busca e apreensão em diferentes endereços da capital e Baixada Fluminense. Na ocasião, os policiais apreenderam quase R$ 122 mil, 146 maquininhas de cartão, mais de dois mil vales alimentação, refeição e de transporte, além de computadores, celulares, diversos documentos e cadernos de contabilidade, entre outros. A ação levou mais de 30 pessoas à delegacia, onde prestaram depoimento.

*Sob supervisão de PH Rosa

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