Polícia procura acusado de provocar queimaduras em enteados de 10 meses e 2 anos
Justiça mandou prender o padrasto indiciado por tortura; a mãe, que também era vítima de violência, vai responder por omissão
Rio de Janeiro|Bruna Oliveira, do R7, com Diogo Menezes, da Record TV Rio

O homem acusado de ter provocado queimaduras nos enteados, de 10 meses e 2 anos, é procurado pela polícia na Baixada Fluminense. Ele não foi encontrado em endereços em São João de Meriti por agentes da 64ª DP, nesta sexta-feira (7), mas as buscas pelo agressor, considerado foragido, continuam.
De acordo com as investigações da Polícia Civil, o menino de 2 anos foi queimado com um garfo quente, enquanto o irmão dele, de 10 meses, teve ferimentos graves nos olhos, em decorrência de um produto químico.
O caso chegou à delegacia depois que o bebê foi internado, no último dia 30. A mãe, que afirma também ter sido vítima de agressões do ex-namorado, relatou ter socorrido o filho, levando-o para o hospital assim que chegou em casa e viu a criança ferida, enrolada em dois cobertores e desmaiada.
Na ocasião, o agressor chegou a ser ouvido na delegacia, mas não foi preso, pela ausência de elementos de flagrante naquele momento, de acordo com o delegado Bruno Henrique.
"Ele alegou que teria deixado o frasco de limpeza na mão da criança, e ela jogou no rosto, o que não condiz com a verdade, porque seria uma lesão de escorrimento. O perito mostrou que alguém passou o produto na criança, mas não identificou qual produto", disse Bruno em entrevista à Record TV Rio.
Durante a investigação, a polícia também descobriu que o menino de 2 anos, que já estava sob os cuidados do pai, havia sido agredida pelo padrasto anteriormente. A criança tinha ferimentos nos pés e na barriga. O IML (Instituto Médico Legal) constatou que seria uma queimadura com garfo, ainda de acordo com o delegado.
Bruno Henrique afirmou que o homem foi indiciado duas vezes pelo crime tortura contra as crianças e teve a prisão preventiva (sem prazo) decretada. A mãe também responde por omissão e, por decisão da Justiça, tem que se manter afastada dos filhos, que devem ficar com outros familiares.
"Pelo fato de a mãe já saber do comportamento violento, já ter uma lesão anterior do garfo e deixar o bebê na responsabilidade do padrasto, nós achamos que ela deveria responder também por tortura por omissão, o que foi ratificado pelo Ministério Público. Hoje, o juiz já aceitou a denúncia", disse o delegado.
Mãe das crianças também era vítima de violência
A mãe das crianças disse que também foi vítima das agressões do ex-namorado, com quem mantinha um relacionamento desde dezembro do ano passado.
Ela afirmou que, inicialmente, o homem não demonstrava o perfil violento, até que o filho mais velho demonstrou sentir medo do padrasto. Em razão disso, o menino foi morar com o pai.
A mulher contou que tentou sair do relacionamento abusivo. Ela disse que era ameaçada e que ainda sente medo. Relatou, inclusive, que está fazendo tratamento psicológico.
Abalada, ela chorou durante a entrevista à Record TV: "Vou ficar aliviada quando ele estiver preso. Só eu sei o que eu passei com meu filho, que quase morreu. Estou longe do meu outro filho desde quando aconteceu o acidente do garfo, mandei ele para o pai. Sinto saudade dele. Ele olhava para o padrasto, chorava, gritava, tinha pavor", disse.















