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Rio: quase 10 mil alunos são prejudicados em semana de operações na Maré e Manguinhos

Ao menos 9.836 alunos da rede pública ficaram sem estudar por dois dias seguidos

Rio de Janeiro|Do R7

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Em Manguinhos, escolas fecharam em razão da violência nesta semana
Em Manguinhos, escolas fecharam em razão da violência nesta semana

As operações policiais nas comunidades da Maré e de Manguinhos, ambas na zona norte do Rio de Janeiro, terminaram com as mortes do adolescente Christian Soares, de 13 anos (Manguinhos) e de um homem (Maré) na terça (8) e quarta-feira (9) passadas. Em razão da violência que assola as favelas — uma delas pacificada e outra à espera de uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) —, escolas municipais, estaduais, creches e EDIs (Espaços de Desenvolvimento Infantil) foram obrigados a suspender as atividades durante os dois dias de operações policiais.

O fechamento das escolas para preservar a segurança das crianças e adolescentes afetou ao menos 9.836 alunos da rede pública, segundo levantamento do R7 com base em informações das secretarias de Educação da capital e do Estado. A ação na Maré feita por agentes do COE (Comando de Operações Especiais), que resultou em confrontos entre policiais e criminosos, durou dois dias. Já em Manguinhos a ação da Polícia Civil, com apoio de policiais militares, que buscava um suspeito de matar um agente da UPP local, ficou restrita à terça-feira.


Na terça, o Colégio Estadual Compositor Luiz Carlos da Vila, em Benfica, cancelou as aulas nos turno da tarde e da noite. Cerca de 900 alunos foram prejudicados. Também no conjunto de favelas de Manguinhos, 2.989 estudantes de escolas municipais ficaram sem aulas.

No complexo da Maré, o Ciep Professor César Pernetta suspendeu as atividades no turno da noite, tirando 360 alunos das salas de aula. A Secretaria Municipal de Educação informou que cinco escolas e três EDIs também cancelaram as aulas, prejudicando 3.214 estudantes.


Já na quarta-feira (9), uma escola, uma creche e um EDI fecharam as portas em Manguinhos, apesar de a operação que terminou com a morte do menino Christian ter se encerrado no dia anterior. A medida deixou sem aulas 992 alunos na parte da manhã e 553 estudantes à tarde.

Na Maré, mil alunos nos três turnos do Ciep Professor César Pernetta ficaram sem aulas pelo segundo dia consecutivo. No mesmo dia, seis escolas, uma creche e três EDIs ficaram sem atendimento, deixando 3.405 estudantes sem aulas no primeiro turno e 1.542 no segundo.


Reposição das aulas

As duas secretarias de governo dizem que os conteúdos das aulas serão repostos. A coordenadora pedagógica da Comunidade Educativa, Roberta Panico, reconhece a necessidade de as escolas suspenderem as atividades a fim de zelar pela segurança dos estudantes, mas chama a atenção para a importância de os centros de educação adotarem medidas para reparar a perda de aulas.


A Lei de Diretrizes e Bases da Educação determina que o estudante brasileiro cumpra 200 dias letivos ao ano, o equivalente a 800 horas de aulas — média de quatro horas por dia. Na avaliação de Roberta, a carga horária exigida é baixa ainda mais quando se considera que parte dela é gasta com atividades não relacionadas aos conteúdos das aulas.

Considerando a possibilidade de operações policiais e eventuais confrontos interromperem aulas em áreas de conflito no Rio, a especialista, que trabalha com formação de diretores em todo o País, sugere que as escolas aumentem com antecedência o tempo diário de aula para evitar prejuízo com fechamentos. Outra ideia sugerida por Roberta é o uso de plataformas virtuais que os estudantes pudessem ter acesso de casa aos conteúdos, a chamada educação híbrida.

— A escola tem autonomia para pensar no projeto pedagógico, para pensar na sua questão local. É preciso também assegurar o direito de as crianças aprenderem.

Colaborou Bruno Tortorella, do R7 Rio

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