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RJ: 73% dos crimes contra mulheres acontecem de noite ou madrugada

Levantamento feito pela Defensoria Pública do Estado definiu este horário do dia como de descanso - momento em que mulheres costumam estar em casa

Rio de Janeiro|Lucas Ferreira, do R7*

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Casos entre 1997 e 2019 foram analisados no estudo
Casos entre 1997 e 2019 foram analisados no estudo

A Defensoria Pública do Rio de Janeiro divulgou na manhã desta sexta-feira (6) um levantamento no qual aponta que 73% dos feminicídios ou tentativas de feminicídios aconteceram no período da madrugada ou noite, classificado pelo órgão como “período de descanso”. Estes casos costumam acontecer na residência da vítima, more ela com o autor do crime ou não.

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O estudo também traçou um perfil do grupo mais vulnerável. São mulheres de 21 a 40 anos, mães, feridas em casa com facas ou armas, durante a noite ou madrugada, pelo companheiro que havia se afastado ou que o relacionamento durou, em média, cinco anos.

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“Os dados deixam claro que as vítimas de feminicídio são alvos de pessoas próximas, com quem mantiveram ou mantêm relacionamento amoroso, e sofrem de situações de violência em momentos e locais em que se encontram mais vulneráveis”, disse a diretora de Estudos e Pesquisas de Acesso à Justiça, Carolina Haber.


A pesquisa, divulgada dois dias antes do Dia Internacional da Mulher, foi feita com 107 processos que estão em tramitação em tribunais de todo o Rio de Janeiro. Entretanto, 70% dos casos ajuizados entre 1997 e 2019 foram na capital fluminense (75).

Entre os principais motivos alegados para as agressões estão recusa em reatar o relacionamento, ciúmes, discussões por diferentes razões, vingança por motivos como registros de violência anteriores, gravidez e recusa em ter relações sexuais.


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“O feminicídio é um crime evitável, desde que os mecanismos de proteção às mulheres previstos na Lei Maria da Penha sejam acionados. A pesquisa revela que em 55% dos casos analisados há relato de violência doméstica anterior. No entanto, as vítimas deixaram de formalizar o registro em razão de medo”, explicou a coordenadora de Defesa dos Direitos da Mulher, Flavia Nascimento.


Em nota, a Defensoria Pública informou que dos 107 processos analisados, 69 contêm relatos de violência doméstica anterior, mas apenas 23 registrados nos antecedentes criminais do autor. No total, 40 casos foram julgados e 31 destes terminaram em condenação.

*Estagiário do R7, sob supervisão de PH Rosa

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