Rompimento de adutora: “estouro parecia uma batida de carro”, diz moradora
Menina de três anos morreu depois de ser resgatada de área alagada
Rio de Janeiro|Do R7

A moradora do bairro da zona oeste, onde a adutora Henrique Novaes rompeu provocando um alagamento e a morte de uma criança nesta terça-feira (30), Aline Batista de Araújo, relata que os moradores ficaram assustados com o barulho causado pelo vazamento de água.
A dona de casa de 34 anos relata que o rompimento ocasionou um estrondo.
— Foi muito alto, parecia uma batida de carro.
Ela conta que quando chegou à esquina da casa dela, pode ver que a água que jorrava da adutora conseguia cobrir as casas mais afastadas, alagando as ruas. Aline disse que o rompimento se deu por volta das 5h da manhã desta terça e que o socorro demorou cerca de uma hora para chegar ao local.
A moradora relata que escutava os gritos de socorro dos vizinhos, mas que não havia como resgatá-los devido a grande quantidade de água e a um fio elétrico, que havia se rompido, ter caído sobre a área alagada. A solução foi ligar para os bombeiros.
Uma menina de três anos morreu depois de dar entrada no Hospital Rocha Faria. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, Isabela Severo chegou à unidade com parada cardiorrespiratória, passou por manobras de ressuscitação, mas não resistiu, morrendo às 8h25. Ela teria ingerido grande quantidade de água.
Cerca de 200 casas foram abaladas pela força da água que jorrou após o rompimento da adutora. A informação foi confirmada pelo tenente-coronel Marcelo Laviola, responsável pela ação do Corpo de Bombeiros na região.
Agentes de Defesa Civil deslocados a Campo Grande disseram que, até as 13h, havia sido verificado que 17 — das 200 casas — desabaram. Ainda segundo os agentes, ao menos 70 pessoas estavam desalojadas e 72 desabrigadas.
Os moradores do local fizeram cartazes para protestar contra o descaso na região. Eles aproveitaram a visita do governador e do prefeito do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral e Eduardo Paes, para mostrarem suas reivindicações.
Cedae promete arcar com prejuízos
A Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos) divulgou nota anunciando que irá ressarcir financeiramente todos os desabrigados e desalojados vítimas do rompimento da adutora. A empresa disse ainda que todos que perderam ou tiveram de deixar suas casas serão hospedados em hotéis da região. As diárias, assim como custos de alimentação, serão bancadas pela Cedae, que prometeu ainda disponibilizar acompanhamento psicológico a todos.
A companhia esclareceu que, até as 12h30, não havia detectado os motivos do rompimento da adutora, que tem 1,75 metro de diâmetro.
De acordo com a Cedae, técnicos já realizaram manobra na rede, desligando o registro que abastece a tubulação rompida e transferindo para linhas próximas os 6.000 litros de água que passariam por ela a cada segundo, mantendo o fornecimento de água às regiões abastecidas pela adutora: Jabour, Mendanha, Lameirão e parte dos bairros de Santa cruz, Campo Grande, Santíssimo, Bangu, Padre Miguel e Realengo.
Em contrapartida, ainda segundo a empresa, a região do entorno da adutora, além de parte de Bangu e de Santíssimo, poderão sentir redução no abastecimento.















