Logo R7.com
RecordPlus

Tarifa social das barcas pode acabar com novo processo de concessão

Deputado contestou medida anunciada pela Setrans e apresentará PL para estender benefício

Rio de Janeiro|Do R7*

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window
Aproximadamente 80 mil pessoas utilizam as barcas diariamente, segundo concessionária
Aproximadamente 80 mil pessoas utilizam as barcas diariamente, segundo concessionária

Nesta semana foram feitas as primeiras reuniões sobre a abertura de licitação para a troca de concessão das barcas do Rio. Segundo informações da Setrans (Secretaria de Estado de Transporte), a atual concessionária teria feito o pedido de rescisão do contrato, alegando prejuízo. O deputado estadual Gilberto Palmares (PT), entretanto, contesta essa versão. Segundo ele, a atual concessionária, a CCR, não apresentou nenhum balanço que confirmasse a tese, ele disse ainda que desde que a empresa assumiu a prestação do serviço o Estado deu a ela uma série de garantias, como o aumento da tarifa em 60%, o fim das viagens durante a madrugada e a compra de novas embarcações.

— Eu vou entrar com uma representação no Ministério Público sobre essa licitação. É um absurdo que eles digam que estão tendo prejuízo, se eles não têm transparência e não divulgam nenhum dado — afirmou Palmares, que destacou a necessidade da execução de algumas medidas antes que a licitação seja aberta. Ele disse que é importante que as contas sejam abertas e que as obras prometidas nas estações sejam feitas. De acordo com o parlamentar, a CCR alegou que precisava de adquirir essas novas embarcações de dois mil acentos porque ela permitiria que o embarque e desembarque ocorressem simultaneamente, no entanto as estações não tiveram as adaptações necessárias para que isso ocorresse.


O deputado também questiona o anúncio feito pelo Governo do Estado sobre o fim da tarifa social no próximo contrato licitatório. Ele salientou que essa medida é necessária para o Rio de Janeiro, que atualmente vive uma crise aguda e apresenta uma taxa de desemprego superior à nacional. Para ele, isso pode aumentar o número de pessoas sem um emprego formal. A Setrans informou que cerca de 18 mil pessoas utilizam a tarifa social mensalmente. A relações públicas, Bruna San Freitas, que mora em São Gonçalo disse que o preço da passagem da barca já foi motivo para que ela perdesse uma oportunidade de emprego.

— Eu já alterei meu endereço no currículo e coloquei o de uma tia minha, porque eu não conseguia emprego porque era de São Gonçalo. Já me disseram em uma entrevista que eu não tinha passado porque eu morava longe e teria muito gasto com passagem — disse Bruna.


O deputado informou que apresentará na Alerj um projeto de lei que garanta a continuidade da tarifa social até o ano de 2022 e que ela esteja prevista no novo contrato de concessão. A Setrans informou que a lei nº 6.640/13, que estabelece a tarifa social, determina que o benefício tenha caráter temporário e que ela será extinta em dezembro de 2018. A pasta também afirmou que o edital ressaltará que as propostas de tarifas iniciais apresentadas pelas empresas concorrentes não poderão ser superiores às tarifas atualmente praticadas e os reajustes permanecerão ocorrendo a cada 12 meses, a contar de fevereiro deste ano. Os subsídios referentes ao Bilhete Único Intermunicipal serão mantidos.

A secretaria também informou que a empresa que assumir o serviço deverá apresentar um estudo de viabilidade para a instalação de uma linha São Gonçalo x Praça XV e outra Praça XV ou Santos Dumont x Galeão. A primeira será social, ou seja com tarifa a preços populares, e a outra será seletivo, com tarifa mais cara. Bruna vê com esperança essa proposta de um rota que ligasse São Gonçalo ao centro do Rio.


— Ter uma barca para São Gonçalo seria um benefício imenso para nós que moramos aqui. Gastaríamos menos tempo para chegar no Rio, diminuiria o nosso gasto com passagem, já que hoje temos que ir até Niterói e de lá pegar a barca, e acho que amenizaria também a lotação das composições — disse a jovem.

Procurada pelo R7 a assessoria da CCR Barcas não informou quais seriam as demandas apresentadas pela empresa que estariam provocando prejuízo em suas receitas.

*Colaborou Samuel Costa, estagiário do R7 Rio

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.