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Um adolescente morre e três policiais são baleados no Alemão nesta segunda (24)

Moradores ainda sofrem com a ocupação de suas casas por policiais militares

Rio de Janeiro|Do R7, com Agência Brasil

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Moradores sofrem com a ocupação de suas casas desde o mês de janeiro
Moradores sofrem com a ocupação de suas casas desde o mês de janeiro

A última segunda-feira (24) foi marcada pela violência no Complexo do Alemão, zona norte do Rio. Moradores da comunidade relataram nas redes sociais que houve intenso tiroteio na região. Um adolescente de 13 anos, Paulo Henrique de Oliveira, foi atingido por um disparo na barriga e foi socorrido por moradores que o levaram para o Hospital Salgado Filho, no Méier. O jovem passou por cirurgia, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu na manhã desta terça-feira (25).

Três policiais também foram baleados durante o confronto, um foi atingido no rosto, outro foi ferido por estilhaços e por fragmentos de concreto que se soltaram de um muro. O primeiro agente baleado foi atingido na perna, no momento em que uma equipe da PM fazia a instalação de uma torre blindada da UPP na comunidade de Nova Brasília.


Senhor B, proprietário de um imóvel na região, relatou para o R7 que a referida torre seria a base, a qual os oficiais alegam estar aguardando a sua finalização para desocuparem as casas de moradores. B revelou que deixou a comunidade há oito meses, quando os confrontos voltaram a acontecer na comunidade. Ele explicou que ao deixar o bairro, alugou sua antiga casa para poder viver em outra em Campo Grande, zona oeste do Rio. No entanto, devido à ocupação de sua laje por PMs, perdeu sua fonte de renda, já que sua inquilina deixou o imóvel.

— Fizeram minha casa de alojamento, fazem troca de plantão e tudo lá dentro. Eles estão lá desde o dia 7 de março, até perdi minha inquilina por causa disso! Procurei a corregedoria e nada foi feito. Na UPP falaram que eles tinham respaldo legal para estarem lá, mas não me apresentaram nenhum documento — explicou o antigo morador do bairro.


Enquanto o confronto seguia violento na comunidade, uma audiência pública foi realizada em Marechal Câmara, na sede da Defensoria Pública. O encontro aconteceu para a realização da discussão sobre a truculência policial na região. A Defensoria esclareceu que o objetivo é encontrar uma solução junto ao MP (Ministério Público) e a secretarias estaduais e municipais do Rio para a situação enfrentada pelos moradores.

— O impasse se arrasta há mais de dois meses. Não houve novas invasões, mas as casas tomadas em fevereiro continuam sendo utilizadas pelos policiais, que montam vigilância um dia numa, outro dia noutra, segundo relatos que nos chegaram. Os moradores se sentem inseguros, reféns de uma situação não resolvida – explicou o ouvidor-geral da Defensoria, Pedro Strozenberg.


B relatou ainda que após a saída de sua inquilina, os policiais teriam feito uso também do interior do imóvel. De acordo com o senhor, ele teve de pedir ao filho, que ainda tem mora na comunidade, para ocupar a sua casa a fim de evitar que os agentes entrassem para o interior do imóvel e se instalassem.

— Era uma cena de guerra! Quando eu e meu filho chegamos, tinha marcas de coturno na minha porta , restos de comida pela casa e parecia que tinham tomado banho lá. Quer agressão pior do que essa? Invadirem sua residência assim? Sem autorização, sem nada? — afirmou B.


Até o momento do fechamento desta matéria não obtivemos um posicionamento da UPP sobre as denúncias feitas por B. Nesta manhã de terça-feira (25) policiais do Bope (Batalhão de Operações Especiais) retornaram à comunidade para dar prosseguimento à operação iniciada ontem. Ainda não houve registro de tiroteio na região, segundo a polícia militar.

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