Viúva de Santiago Andrade diz que tem "muita pena" dos suspeitos de acender rojão que matou cinegrafista
Declaração foi dada durante o velório do cinegrafista no cemitério do Caju
Rio de Janeiro|Do R7, com Agência Brasil

A viúva do cinegrafista Santiago Andrade, Arlita Andrade, morto na manifestação da última quinta-feira (6), disse ter "muita pena" dos dois suspeitos de terem acendido o rojão que matou Andrade. A declaração foi feita durante o velório do profissional da TV Bandeirantes, na manhã desta quinta-feira (13). Santiago foi cremado no Memorial do Carmo, zona portuária do Rio.
— Tenho muita pena desses dois rapazes. Queria pedir a todo mundo: por favor, sejam mais amigos, sejam mais tranquilos, tenham amor um pelo outro.
A cerimônia foi celebrada por dom Orani Tempesta e contou com a presença de amigos e diversos profissionais da imprensa.
Caio Silva de Souza e Fábio Raposo foram presos após a investigação da Delegacia de São Cristóvão (17ª DP). Eles foram encaminhados para o Complexo Penitenciário de Gericinó, zona oeste do Rio. Os dois foram indiciados por homicídio doloso (com intenção) qualificado e crime de explosão.
“Poderia ter sido qualquer um de nós”
Dezenas de jornalistas compareceram ao velório para noticiar o fato ou se despedir. Muitos usavam uma camisa com os dizeres “Poderia ter sido qualquer um de nós”. Arlita Andrade lembrou que Santiago amava a profissão.
— O sonho dele era ser repórter cinematográfico e ele ficava muito preocupado com a violência. Ele dizia: 'Realmente está muito violento'.
A repórter da TV Bandeirante Camila Grecco, que participou de várias coberturas jornalísticas ao lado de Santiago, contou que ele sempre se preocupava com a equipe e com a própria segurança.
— Se ele soubesse que estava em situação de muito risco, jamais estaria lá.
Companheiro de trabalho de Santiago por 11 anos, o cinegrafista Sérgio Colonezi também contou que Santiago era cauteloso.
— As pessoas dizem que, nós, cinegrafistas, abusamos um pouco do perigo. O Santiago era o contrário, era cauteloso. Quando chegava em local e tinha um tiroteio ou confusão, ele ficava longe e falava: 'Não estou aqui para tomar pancada de ninguém'.
A filha de Santiago, Vanessa Andrade, que também é jornalista, aproveitou para exigir segurança aos profissionais da Bandeirantes e disse que a morte do pai não será em vão.
— Vou exigir que a Band dê segurança ao seus funcionários. Não vou deixar essa história morrer.
O diretor de Jornalismo da TV Bandeirantes, Fernando Mitre, que esteve no memorial, reconheceu que é preciso rever os procedimentos para as coberturas e cobrou investigações sobre crimes cometidos nas manifestações.
— Temos que rever tudo isso [cobertura]. Estamos sob impacto dessa emoção profunda, mas é preciso rediscutir tudo. Do jeito que está não é possível.
O Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro acionou na quarta (12) o Ministério Público do Trabalho para cobrar investigação sobre as condições de trabalho na TV Bandeirantes no Rio. O cinegrafista Santiago estava sem equipe e sem equipamento de segurança quando foi atingido pelo rojão. Todas as demais empresas de comunicação que atuam na cidade também serão notificadas para “cumprir normas básicas de segurança para os trabalhadores”.















