Cirurgião plástico Leandro Fuchs vira réu por diversos crimes
Médico é acusado de concussão, estelionato e falsidade ideológica
Balanço Geral RS|Do R7
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O cirurgião plástico Leandro Fuchs virou réu pelos crimes de concussão, estelionato e falsidade ideológica contra sete pacientes, após a Justiça receber denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS).
Ele também responde por injúria racial praticada contra uma das vítimas.
A ação penal reúne sete inquéritos policiais relacionados a fatos apurados durante investigação sobre a atuação profissional do médico no Hospital Ernesto Dornelles, em Porto Alegre.
As imputações incluem agravante de abuso de poder e continuidade delitiva em parte dos delitos.
A denúncia foi apresentada em 6 de julho pelo promotor de Justiça André Baptista Caruso Mac Donald e recebida pela Justiça em 2 de agosto, pela 11ª Vara Criminal do Foro Central de Porto Alegre.
Na ação penal, o MPRS atribui ao réu a prática de concussão na condição de funcionário público por equiparação, além dos crimes de estelionato e falsidade ideológica.
Conforme a denúncia, os fatos envolvem obtenção de vantagem indevida, indução de vítimas em erro, ofensas à honra e inserção de informações falsas em documentos.
As vítimas estão sendo acompanhadas pela Central de Atendimento às Vítimas e Familiares de Vítimas de Crimes e Atos Infracionais (Espaço Bem-Me-Quer), do MPRS, em Porto Alegre.
O atendimento é coordenado pela promotora de Justiça Carla Frós.
O promotor André Mac Donald informa ainda que pelo menos outros 30 inquéritos já foram distribuídos e estão em análise pelo MPRS.
Retrospecto do caso
O processo tem origem em uma investigação da Polícia Civil que durou cerca de seis meses e culminou, em dezembro de 2024, no indiciamento de Fuchs e mais 12 médicos, entre residentes e ex-residentes, após o registro de ocorrência de 87 vítimas, sendo 84 mulheres e três homens, por erros em cirurgias.
Cerca de 140 pessoas chegaram a ser ouvidas ao longo da apuração.
Segundo a investigação, Fuchs captava pacientes por meio de grupos de redes sociais, prometendo "melhores resultados" e oferecendo brindes, mas se ausentava no momento do procedimento, inclusive saindo do hospital durante as cirurgias, deixando médicos residentes operando sozinhos, sem que os pacientes soubessem que não seriam operados por ele.
Para a polícia, o médico ainda orientava as vítimas a não denunciarem os maus resultados, alegando ter "muitos contatos" que impediriam qualquer sucesso judicial das queixas, e vítimas que tentavam alertar outras pessoas nos grupos de redes sociais tinham seus comentários apagados e eram bloqueadas.
Fuchs atuava no Hospital Ernesto Dornelles desde a residência médica e chegou a ocupar os cargos de gestor e regente da área de Cirurgia Plástica da instituição, além de chefe do programa de residência médica na especialidade.
Na época do indiciamento, a Justiça negou pedido da Polícia Civil para suspender o direito de ele exercer a medicina, mas determinou que ficasse proibido de realizar cirurgias, de deixar Porto Alegre e teve o passaporte apreendido.
O Hospital Ernesto Dornelles informou que o médico foi afastado da instituição em janeiro de 2024 e que não integra mais o corpo clínico.
A defesa de Fuchs afirma que o processo tramita sob sigilo de Justiça e por isso “não comentará o mérito das acusações, mas diz que a inocência dele será demonstrada ao longo da instrução processual, destacando que exercia a medicina havia mais de 30 anos, sempre pautado pelo Código de Ética Médica”.














