Polícia Civil cria protocolo para tentar impedir feminicídios em Porto Alegre. Capital tem maior número de casos desde 2018
O número de feminicídios já chega a 52, neste ano, no Rio Grande do Sul. Agora, um novo projeto da Polícia Civil pretende identificar e monitorar agressores de maior risco, na tentativa de impedir que a violência doméstica evolua para feminicídio.
Guaíba no Ar|Do R7
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A Polícia Civil colocou em prática no domingo (30) um novo protocolo voltado a agressores de mulheres, com o objetivo de identificar situações de maior risco. O projeto-piloto começa por Porto Alegre e deve ser ampliado para o restante do estado nos próximos meses.
A estratégia foi criada a partir da análise de dados do Geseg, do programa RS Seguro, sobre os feminicídios registrados neste ano. A polícia identificou fatores que se repetem nos casos e criou uma classificação de risco para atuar, principalmente, sobre os agressores com maior possibilidade de reiteração e evolução da violência.
Como funciona a classificação de risco
No risco considerado crítico estão os casos em que a vítima não possui medida protetiva e o agressor tem acesso a uma arma de fogo. O risco alto considera histórico de agressão física, agressor que é ex-companheiro e reincidência, como descumprimento de medida protetiva ou novas ocorrências. Já o risco moderado considera fatores como uso de álcool e drogas e dependência financeira da vítima.
Segundo a Polícia Civil, 90% dos casos de feminicídio ocorrem sem que a vítima tenha uma medida protetiva. Por isso, o novo protocolo também prevê atuação em casos nos quais não existe essa determinação judicial, mas há outros registros de violência e fatores de risco.
As primeiras ações
Nesta primeira etapa, 26 investigados de Porto Alegre, identificados como casos de maior gravidade a partir de ocorrências dos últimos três meses, devem receber a visita dos policiais. A chamada visita de saturação pode ocorrer na residência ou no local de trabalho do investigado e serve para verificar o cumprimento de eventuais medidas protetivas.
Nos casos considerados mais graves, a Polícia Civil pretende solicitar, à Justiça, o monitoramento eletrônico do agressor, medida que depende de decisão judicial. Em situações de risco iminente de morte, também poderá ser solicitada a prisão preventiva. A iniciativa tem, como referência, um protocolo já utilizado pela corporação, no combate a homicídios ligados ao crime organizado, com medidas escalonadas para interromper a progressão da violência antes que ela chegue ao homicídio.
Um momento de alerta na Capital
O novo protocolo é lançado em um momento de alerta em Porto Alegre. A cidade registrou 11 feminicídios entre janeiro e agosto de 2026, o maior número para os primeiros oito meses do ano desde 2018, quando foram registrados 17 casos no período.
Dos 11 feminicídios deste ano na Capital, em sete os autores identificados são companheiros ou ex-companheiros das vítimas. Há, ainda um filho, e um neto investigados, enquanto em dois casos a autoria ainda é investigada. Seis suspeitos estão presos e três tiraram a própria vida. Três das vítimas tinham medidas protetivas.
O cenário no Estado
No Rio Grande do Sul, segundo levantamento da Record Guaíba, já são 52 mulheres vítimas de feminicídio e uma vítima de vicaricídio em 2026. Foram 11 casos em janeiro, oito em fevereiro, quatro em março, sete em abril, oito em maio, quatro em junho, quatro em julho e seis em agosto.
















