Carros chineses pressionam preços no mercado automotivo
A chegada de montadoras chinesas altera a competitividade e preço dos veículos
Rio Grande Record|Do R7
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Augusto da Silva Vargas passou os últimos meses pesquisando antes de fechar negócio. Nesta quinta-feira (6), ele finalmente comprou seu carro: um seminovo a combustão, com desconto de R$ 30 mil em relação à tabela original. "De uns meses para cá, supriu bem o que eu precisava", conta. Sobre a opção por não ir de elétrico, ele resume: "Embora o carro elétrico otimize a questão do custo, é um carro mais dinâmico, mas para mim não fazia sentido ainda".
A decisão de Augusto reflete uma mudança que está reconfigurando o mercado de veículos no Brasil. Uma pesquisa realizada por uma empresa especializada em soluções para compra e venda de veículos identificou que a chegada das montadoras chinesas, especialmente BYD e GWM, alterou a forma como as revendedoras precificam os carros usados. A oferta de modelos elétricos e híbridos, com mais tecnologia e preços competitivos, obrigou as montadoras tradicionais a oferecer bônus, descontos e condições especiais na venda de veículos zero quilômetro. Como efeito cascata, o valor dos seminovos também foi pressionado nas negociações de revenda.
"Antes a gente virava o mês olhando os anúncios até dos chineses", relata Elisandro Falleiro, gerente de um grupo de revenda de seminovos, sobre como a concorrência mudou a rotina das lojas. Para se manter competitiva, a estratégia agora passa por vender abaixo do valor da tabela Fipe. "É meio ilusório: você vai perder um pouco mais no carro que está entregando, mas vai ter um valor melhor no carro que está comprando também", explica.
Nem toda marca perde valor do mesmo jeito
O levantamento mostra que não existe uma crise generalizada no setor. A desvalorização varia bastante entre marcas. Os modelos da Jeep tiveram as maiores correções, com depreciação entre 35% e 37% em até dois anos de uso. Já os veículos da Toyota e da Honda mantiveram comportamento mais estável, com quedas dentro do padrão histórico do mercado. Apesar da pressão nos preços, os carros não estão parados nos pátios: modelos como Jeep Commander, Toyota SW4 e Corolla Cross continuam com alta liquidez nas revendedoras, sendo vendidos em poucos dias.
O novo comportamento do consumidor
Os clientes chegam às lojas cada vez mais informados, comparando preços, tecnologia e até o custo de manutenção antes de fechar negócio. Um movimento chama atenção: muitos consumidores passaram a comparar um SUV seminovo a combustão com um elétrico ou híbrido zero quilômetro na mesma faixa de preço. Ou seja, aumentou a concorrência e mudou a percepção sobre o custo-benefício dos veículos. "A tendência é ter um retorno maior", avalia a executiva de vendas Priscila Santos Garcia, destacando que a economia gerada pelos elétricos tem atraído novos perfis de compradores para as concessionárias.Infraestrutura de recarga também avança em Porto Alegre
O crescimento da frota elétrica é acompanhado por uma expansão na infraestrutura de recarga na capital gaúcha. A Esquina do Futuro, empresa do Grupo FRP e primeira rede de eletropostos multisserviços do Brasil, divulgou o balanço de uma prova de conceito realizada em parceria com a Prefeitura de Porto Alegre desde maio. Com três carregadores rápidos já em funcionamento nas regiões da 24 de Outubro, Germânia e Encol, o projeto já ultrapassou a marca de 1.250 recargas realizadas para 546 clientes distintos, totalizando cerca de 25 mil kWh de energia fornecidos.
Para atender à demanda crescente, o projeto será ampliado com a instalação de mais quatro pontos de carregamento na capital, já aprovados pelo município:
Avenida Siqueira Campos, 814
Rua Frederico Mentz, 1561
Rua Irmão José Otão, 320
Rua Siomma Breitmann, 2
Para quem pretende comprar ou trocar de carro, o cenário atual exige mais pesquisa. O mercado ficou mais competitivo, as opções aumentaram e a decisão já não passa apenas pelo modelo ou pela marca, mas também pela tecnologia e pelo custo-benefício de cada veículo. Como resume Augusto, mesmo satisfeito com a compra: "Os seminovos de uns dois meses para cá caíram consideravelmente. Embora a tabela Fipe do carro não tenha baixado, na prática a Fipe é uma coisa e o dia a dia é outra".














