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Dois anos após a enchente, bairro Rio Branco ainda sofre com desvalorização de imóveis

Enchentes afetam imóveis em Canoas, e BRs enfrentam dificuldades por falta de investimento contínuo

Rio Grande Record|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Moradores do bairro Rio Branco, em Canoas, enfrentam desvalorização imobiliária e dificuldades em negociações pós-enchente de 2024.
  • Obra de proteção, o Muro da Cassol, foi concluída, mas desafios estruturais persistem com um plano de R$ 500 milhões em intervenções.
  • A insegurança climática aumenta com o super El Niño, afetando a reconstrução de casas, como a de Dona Ana Alípia, de 77 anos.
  • Rodovias do RS enfrentam obras inacabadas e falta de investimentos, levando à proposta de um fundo permanente para arrecadar R$ 30 bilhões anuais.

 

Dois anos depois da enchente de maio de 2024, os reflexos da tragédia ainda podem ser vistos no bairro Rio Branco, em Canoas. Além dos danos estruturais que marcaram a região, moradores e corretores de imóveis relatam outro impacto que persiste: a desvalorização dos imóveis.

Desde a enchente histórica, os prejuízos dos moradores atingidos não terminaram - e um deles aparece no mercado imobiliário. Quem tenta vender uma casa no Rio Branco enfrenta uma dificuldade a mais: a desvalorização. O corretor de imóveis Altair Machado dos Santos, com mais de 20 anos de experiência na profissão, conta que nunca havia enfrentado tanta dificuldade para negociar. "Logo após a enchente a gente chegou a fazer algumas operações abaixo do valor e mesmo assim não vende", relata.


Moradora do bairro, Ana Alípia dos Santos Berneira resume o clima de apreensão, que ainda ronda quem decidiu ficar. "Vamos investir? E se vem outra? Olha os rios, olha o alerta, vamos escutar a notícia", diz.

Muro da Cassol: a principal obra de proteção entregue até agora


A principal obra de proteção entregue até o momento no bairro é o chamado Muro da Cassol, com quase 101 metros de extensão e fundações de até 12 metros de profundidade. A estrutura foi projetada para uma cota de proteção de 6 metros e 75 centímetros, com investimento de R$ 1,5 milhão em recursos do próprio município. Os planos, no entanto, preveem cerca de R$ 500 milhões em intervenções na cidade.

Reconstrução lenta e medo constante


Aos 77 anos, Dona Ana mora há mais de 25 no bairro Rio Branco. A casa dela foi atingida pela enchente e, desde então, ela reconstrói aos poucos — parte do forro do teto ainda está incompleta. A cada chuva, a idosa guarda seus pertences dentro de caixas. "Muito medo, às vezes de noite colocar a mão para fora da cama... não temos sossego nenhum", desabafa.

Insegurança persiste com previsão de El Niño

Em alguns pontos do Rio Branco, especialmente nas áreas mais próximas ao Rio Gravataí, há trechos que seguem desabitados. Com a previsão de um super El Niño, nos próximos meses, a sensação de insegurança climática também pesa no dia a dia de quem escolheu ficar. Questionada se pensa em vender a casa, Ana responde: "os que restam aqui, ainda, né". Já Altair reforça a preocupação de quem convive de perto com a região: "Sendo da cidade, a gente consegue identificar a elevação dos diques... é que não nos dão a segurança".

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