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Heloísa Pires Lima é nomeada patrona da feira do livro

Primeira mulher negra no cargo reforça foco em diversidade e inclusão cultural

Rio Grande Record|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A Feira do Livro de Porto Alegre nomeou Heloísa Pires Lima como a primeira mulher negra patrona do evento.

  • A escolha destaca a importância da representatividade e diversidade cultural na literatura.

  • A programação deste ano, que ocorre de 30 de outubro a 15 de novembro, incluirá temas de inclusão e diversidade.

  • Heloísa enfatiza a relevância de reconhecer e celebrar a diversidade literária na sociedade.

 

A escritora, antropóloga e educadora Heloisa Pires Lima foi escolhida para ser a patrona da 72ª Feira do Livro de Porto Alegre. O anúncio foi feito na terça-feira (4) pela Câmara Rio-Grandense do Livro (CRL), entidade responsável pela organização do maior evento literário da capital.

Aos 70 anos, ela se torna a primeira mulher negra a ocupar o posto em mais de sete décadas de história da Feira e a décima mulher entre todos os patronos já escolhidos. É, também, a segunda pessoa negra a receber a homenagem. O primeiro foi o escritor Jeferson Tenório, em 2020.


O evento também marcou outro fato inédito: pela primeira vez a Câmara Rio-Grandense do Livro é presidida por uma mulher, Roseni Siqueira Kohlmann.

Quem é a patrona


Heloisa Pires Lima nasceu em Porto Alegre, em 22 de novembro de 1955, poucos dias depois da primeira edição da Feira do Livro, criada em 1955. Ainda criança, mudou-se com a família para São Paulo, cidade onde construiu toda a sua trajetória intelectual.

Formou-se em Psicologia pela PUC-SP, em 1980 e, mais tarde, em Ciências Sociais pela USP, em 1995. Seguiu na mesma universidade para o mestrado em Antropologia, concluído em 2000, e o doutorado em Ciência Social: Antropologia Social, obtido em 2005, com pesquisa sobre representações culturais da presença negra no Brasil do século 19, a partir da obra do pintor viajante Jean-Baptiste Debret.


A aproximação de Heloísa com a literatura começou ainda na juventude, no trabalho com a biblioteca do projeto Ibejí Casa Escola, em São Paulo. Ao constatar a ausência ou a má representação de personagens negros nos livros infantis, passou da pesquisa à criação literária, estreando no circuito editorial em 1995 com a coleção "Orgulho da Raça".

Seu livro mais conhecido, "Histórias da Preta", publicado em 1998, pela Companhia das Letrinhas, narra a construção da identidade de uma menina negra. A obra recebeu os prêmios José Cabassa e Adolfo Aizen, da União Brasileira de Escritores, além do selo "Altamente Recomendável" da Fundação Nacional do Livro Infantojuvenil e tornou-se leitura recorrente em escolas públicas e particulares de todo o país.


Entre outros títulos de Helena estão "O coração do baobá", "A semente que veio da África" e "Toques do Griô".

A 72ª edição da Feira

A 72ª Feira do Livro de Porto Alegre será realizada de 30 de outubro a 15 de novembro de 2026, na Praça da Alfândega, no Centro Histórico da capital, com o tema "Essência que faz histórias".

Entre os nomes já confirmados na programação está a escritora, professora e ativista indígena Eliane Potiguara, primeira mulher indígena a publicar um livro no Brasil.


Números a serem superados

A 71ª Feira do Livro, realizada em 2025, sob a patronagem da escritora Martha Medeiros, fechou com resultados considerados os melhores dos últimos anos, pela Câmara Rio-Grandense do Livro.

Ao longo de 17 dias de programação, foram vendidos 245.425 livros, um crescimento de 16,9% em relação a 2024. A programação de 2025 reuniu 384 participantes: 331 autores gaúchos, 39 nacionais e 14 internacionais, em mais de mil atividades, entre sessões de autógrafos, bate-papos, debates e lançamentos.

A visitação escolar bateu recorde histórico: 23.310 estudantes passaram pelas bancas ao longo dos 17 dias, número que inclui tanto agendamentos da própria Feira quanto ações da Secretaria de Estado da Educação e da Secretaria Municipal de Educação de Porto Alegre.

Foram realizadas 50 sessões de autógrafos voltadas especificamente ao público escolar, reunindo 8.994 alunos. O Ciclo Inclusivo, por sua vez, promoveu 30 rodas de conversa sobre acessibilidade e doenças raras que geram deficiência, organizadas pelo Comitê de Voluntários pela Acessibilidade da Feira.

O crescimento nas vendas também se refletiu no entorno da Praça da Alfândega, com bares e comércio local registrando movimento aquecido durante todo o período, o que indica o papel da Feira como motor econômico do Centro Histórico, além de vitrine cultural.

Com o anúncio de Heloisa Pires Lima, a Câmara Rio-Grandense do Livro já projeta a 72ª edição como um novo marco simbólico para o evento, que se consolida como o maior evento literário a céu aberto da América Latina.

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