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Pacientes com obesidade grave enfrentam dificuldades para conseguir internação no RS

Pacientes com obesidade grave enfrentam dificuldades para conseguir internação no Rio Grande do Sul. Muito além de uma vaga, o hospital precisa ter estrutura e equipamentos adequados para recebê-los .

Rio Grande Record|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Pacientes com obesidade grave enfrentam dificuldades para internação em hospitais do Rio Grande do Sul.
  • Apenas dez hospitais no estado estão habilitados para tratar obesidade severa, com infraestrutura adequada.
  • O aumento da população com obesidade, onde 12% dos adultos têm obesidade grau 3, agrava a situação.
  • Histórias de sucesso, como a de Andressa, evidenciam a importância de hospitais bem preparados para atender essa demanda crescente.

 

Gilberto tem 46 anos e mais de 150 quilos. A obesidade severa, que o acompanha desde a infância, trouxe limitações: ele tem dificuldade para se locomover, não consegue trabalhar e depende da mãe, de 75 anos, para muita coisa. Há, pelo menos, dois anos, ele foi diagnosticado com um tumor no rim esquerdo e precisa de uma estrutura hospitalar capaz de recebê-lo com o peso e as condições clínicas que apresenta. É aí que começa um caminho cheio de obstáculos.

Quando um paciente com obesidade grave precisa de atendimento hospitalar, não basta encontrar uma vaga. A estrutura também precisa dar conta de características específicas como o peso, garantir mobilidade e poder lidar com eventuais complicações. No Hospital de Clínicas, uma das referências do Estado, essa preparação envolve equipamentos e leitos adaptados.


Andressa: "me senti acolhida"

Andressa conseguiu fazer a cirurgia bariátrica que aguardava desde o ano passado. Ela diz que se sentiu acolhida pelo hospital, com uma estrutura que acompanha as necessidades da paciente - conta que, em ônibus e outros lugares, se sente muito mal com os espaços reservados para sentar, e que no Clínicas a experiência foi diferente.


No Rio Grande do Sul, dez hospitais têm habilitação de alta complexidade para o atendimento integral à pessoa com obesidade grave. Três estão em Porto Alegre: Clínicas, São Lucas da PUC e Nossa Senhora da Conceição. Os outros ficam em Canoas, Parobé, Tenente Portela, Pelotas, Faxinal do Soturno, Caxias do Sul e Santo Ângelo.

Pelas regras do Ministério da Saúde, as unidades habilitadas precisam ter, pelo menos, dois leitos adaptados, com capacidade para pacientes acima de 230 quilos. Mas isso não significa que existam duas vagas exclusivas para eles - as internações disputam espaço com os demais pacientes da rede.


Poucos pedidos de transferência são atendidos

Entre 2024 e julho de 2026, a Central Estadual recebeu 21 pedidos de transferência registrados na categoria obesidade. Só cinco foram atendidos. Oito solicitações foram canceladas por questões cadastrais ou burocráticas, outras sete passaram por reavaliação, e uma não foi concluída por decisão da equipe ou do próprio paciente.


Quando não há vaga, transporte ou estrutura adequada, o tempo também pode virar um fator de risco para quem já está doente. Foi o que aconteceu com Luciano Borges, de 49 anos, que morreu em agosto, em Capão da Canoa, depois de ser internado com uma infecção grave. Uma vaga chegou a ser liberada, em Porto Alegre, mas o transporte não aconteceu porque o caso dele se agravou.

12% dos adultos acompanhados têm obesidade grau três

Enquanto a rede tenta dar conta das emergências, a quantidade de pessoas com obesidade grave é expressiva. Em julho deste ano, entre os adultos acompanhados pela atenção primária do Rio Grande do Sul, 12% apresentavam obesidade grau três - classificação que pode exigir cuidados hospitalares especializados.

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