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600 mil pessoas continuam sem luz após chuva em São Paulo na sexta

Forte temporal derrubou árvores e causou mortes no estado; Enel afirma que fornecimento deve ser normalizado até terça (7)

São Paulo|Do R7, com informações da Agência Estado

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Chuva e ventos fortes derrubam árvores na região do Jardim Lar São Paulo, na zona sul da capital paulista
Chuva e ventos fortes derrubam árvores na região do Jardim Lar São Paulo, na zona sul da capital paulista RONALDO SILVA/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO 03.11.2023

Cerca de 600 mil clientes da Enel, empresa responsável pela distribuição de energia elétrica em São Paulo, continuavam sem luz nesta segunda-feira (6), após as fortes chuvas que atingiram a capital paulista na tarde da última sexta-feira (3).

De acordo com o último balanço divulgado pela concessionária, de um total de 2,1 milhões de clientes afetados pelo temporal, aproximadamente 1,5 milhão teve o serviço normalizado. A previsão da Enel é que o fornecimento seja restabelecido por completo até esta terça-feira (7).

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A chuva e a ventania também atingiram outras cidades do estado de São Paulo e causaram sete mortes. A Enel afirma que "essa foi a ventania mais forte dos últimos anos em São Paulo, que atingiu de forma mais severa a rede de distribuição".

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Queda de árvores

Em entrevista à Record TV na manhã desta segunda (6), o prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou que 125 árvores que caíram por causa do temporal ainda aguardavam remoção.

"Foram 172 [remoções] concluídas e tem 125 que, infelizmente, ainda aguardam para serem removidas, com problemas de rompimento de cabos de energia e prejuízo ao tráfego das vias", disse Nunes.

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No Paraíso, na zona sul, moradores ficaram mais de 48 horas sem luz. Segundo Kátia Oliveira, também havia dificuldade para obter previsão da Enel. "Muitas árvores caíram na região. Mas é muito tempo sem energia. A empresa deu prazo inicial para meia-noite de sábado. Já é domingo, e nada de retorno. Creio que somente na terça mesmo", disse neste domingo (5).

Segundo o prefeito da capital paulista, os ventos superiores a 100 km/h chegaram à maior velocidade já registrada pelo Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE), desde 1995, quando os dados começaram a ser computados.

"Foi uma situação excepcional. Muito fora do contexto", disse Nunes, que afirmou ainda que quedas de árvore também exigem desligamentos temporários da rede.

Mudanças climáticas

Temporais como o de sexta-feira estão associados às mudanças climáticas e demandam adaptação de instalações urbanas, alerta Pedro Luis Côrtes, professor do programa de pós-graduação em Ciência Ambiental da Universidade de São Paulo (USP).

"Para se adaptar a essas novas condições impostas, uma das questões básicas é cuidar intensamente da manutenção das áreas verdes, verificando se as árvores estão saudáveis e a necessidade de podas corretivas para que elas possam resistir a eventos climáticos mais extremos", diz.

Côrtes recomenda que seja feito um mapeamento de áreas mais vulneráveis às chuvas. Nesses locais, o especialista afirma, seria necessário transferir a fiação aérea para debaixo do solo. Assim, eventuais quedas de árvores e postes não causariam a falta de luz.

"Não é um empreendimento fácil nem barato. Há inclusive uma discussão de quem arcaria com esses custos. Mas isso precisa ser feito, porque o que temos visto é uma repercussão muito ruim, com regiões há mais de 24 horas sem energia."

Vento derrubou 346 árvores em parques

As fortes chuvas e rajadas de vento que atingiram grande parte de São Paulo na sexta-feira (3) também derrubaram 346 árvores dentro dos parques da cidade, segundo a prefeitura. Os parques onde mais caíram árvores estão na zona sul: o Ibirapuera, com 128 quedas, o Santo Dias, com 61, e o Nabuco, com 26.

Ao todo, mais de 40 municípios, incluindo a capital paulista, tiveram registros de queda de árvores. Foram mais de 2.000 chamados para ocorrências desse tipo, de acordo com as defesas civis e o Corpo de Bombeiros em todo o estado, conforme informou a Defesa Civil.

As rajadas de vento chegaram a 104 km/h em alguns pontos da cidade. Especialistas advertem que ventos acima de 80 km/h podem arrancar até mesmo árvores sadias. O impacto das rajadas, porém, poderia ser reduzido com massa arbórea mais densa, já que, ao entrar pela rua, o vento pode até aumentar sua velocidade.

Recuperação de áreas

Em razão da intensidade do temporal, desde o início da chuva e ao longo da noite, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) acompanhou os trabalhos dos agentes da prefeitura em vários pontos da cidade para recuperação de áreas afetadas.

"Equipes das subprefeituras, da Defesa Civil e agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego [CET], em conjunto com a Enel, passaram a noite, a madrugada e estão nas ruas de todos os bairros da cidade para recuperação de áreas afetadas", disse a prefeitura.

Poucas vias da cidade têm fios enterrados, a exemplo do que ocorre na avenida Paulista. O mais comum é um emaranhado de cabos, alguns deles entrelaçados a galhos de árvores.

A proximidade do verão, época do ano em que a ocorrência de chuvas fortes é mais recorrente, exige ações de zeladoria emergenciais para evitar a repetição desses acidentes. Em 2024, há uma agravante: o El Niño, fenômeno climático que acentua as precipitações.

Veja rastro de destruição deixado por ventos de mais de 100 km/h durante temporal em SP

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