Afastamento de PMs do batalhão da mãe de Marcelo não tem relação com chacina, diz secretário
Fernando Grella Vieira afirma que “não há fundamentos” para ligar o crime com oficiais
São Paulo|Thiago de Araújo, do R7

O secretário estadual de Segurança, Fernando Grella Vieira, afirmou nesta segunda-feira (26) que não é possível fazer nenhuma relação entre a chacina envolvendo o casal de PMs Andréia Regina Bovo Pesseghini e Luís Pesseghini e o afastamento de dois oficiais do 18º Batalhão da corporação, o mesmo em que Andréia trabalhava, nas últimas semanas.
O tenente-coronel Wagner Dimas foi afastado no último dia 14 de agosto do comando do 18º, localizado na Freguesia do Ó, zona norte de São Paulo. A razão, segundo a PM, foi “a pedido do próprio oficial” e se deu em virtude de um “tratamento de saúde”, dias depois de declarar e voltar atrás a respeito de uma denúncia que Andréia teria feito a respeito de colegas estarem envolvidos em um esquema de roubo a caixas eletrônicos.
A suposta denúncia da mãe de Marcelo Pesseghini, de 13 anos – principal suspeito pelo assassinato dos pais, da avó Benedita Oliveira Bovo, e da tia-avó, Bernadete Oliveira da Silva, antes de cometer suicídio horas depois (segundo a principal linha de investigação da polícia) – também teria motivado a transferência do capitão Fábio Paganotto, que foi superior de Andréia na 1ª Companhia do 18º Batalhão, antes de começar a investigar o fato e ser transferido para o 9º Batalhão.
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De acordo com o secretário Fernando Grella Vieira, não há nada além de uma coincidência entre a licença de Dimas e a transferência de Paganotto. Ele garantiu que os dois fatos não possuem nenhuma relação com a chacina ocorrida na Brasilândia, no início deste mês.
— Não tem nenhum fundamento isso, tanto o capitão, ele não foi transferido por nenhum desses motivos aventados, como o comandante atual não foi afastado, ele está em tratamento.
Grella ainda disse que Dimas “não afirmou aquilo que foi dito e não deu nenhuma entrevista”, em referências às declarações do tenente-coronel feitas à rádio Bandeirantes e reproduzidas pelos principais meios de comunicação do País nas 24 horas seguintes, antes dele depor na sede do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) e negar tudo o que dissera, alegando “ter se perdido” quando falou sobre a suposta denúncia de Andréia.
A versão de que policiais corruptos estariam envolvidos na chacina é vista como uma alternativa para o crime, embora a polícia já tenha dito mais de uma vez que as provas colhidas até o momento não apontam nessa direção. Grella explicou que, se surgir algo que leve a uma desconfiança em torno de policiais, isso será investigado.
— Posso dizer que não existe nenhum fundamento, por ora. Se houver um fato concreto, temos o dever de apurar.
O secretário de Segurança disse ainda que espera pela conclusão das investigações, as quais vem acompanhando diariamente junto aos responsáveis pelo caso.
— Tenho acompanhado sim, para saber se está havendo dificuldade, se os trabalhos estão caminhando normalmente, porque é um caso especial, singular, incomum. Então nós temos o dever de acompanhar e saber como as coisas estão caminhando, tudo no interesse pela busca da verdade.
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