Após conflitos com PM, grupo dispersa e situação na avenida Paulista normaliza
Polícia dispersou manifestantes que permaneciam em diversas ruas da região central
São Paulo|Fernando Mellis e Thiago de Araújo, do R7

A situação na avenida Paulista foi normalizada após a quarta manifestação contra o aumento da passagem de ônibus, realizada na tarde desta quinta-feira (13). O grupo se dispersou em diversas ruas da região. Por volta das 22h ainda era possível ouvir disparos de bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral e ver algumas barricadas em vias de acesso à avenida Paulista. No entanto, às 23h a situação já estava tranquila.
Por volta das 22h, policiais militares ainda estavam na Paulista e pessoas circulavam pela rua assustadas. As lojas na região fecharam mais cedo e permaneciam assim nesta noite.
O número de pessoas levadas para averiguação durante o quarto protesto contra o aumento da tarifa do transporte em São Paulo chegou a 150. A informação foi passada pelo advogado do Movimento Passe Livre, Rodolfo Valente. Segundo ele, porém, parte deles já havia sido liberada por volta das 22h. Em relação ao número de manifestantes, o movimento calcula que 10 mil estiveram presentes no ato. Já a PM diz que 5 mil pessoas participaram do protesto.
O vereador Ricardo Young (PPS) esteve no 78 DP acompanhando o registro dos boletins de ocorrência. Segundo ele, cerca de 70 jovens ainda permaneciam na delegacia por volta das 22h desta quinta-feira. Ao sair do local, o vereador criticou a ação da PM durante o protesto.
— O processo de detenção foi um pouco violento. Houve um certo abuso do uso do gás lacrimogêneo. Cercaram um grupo de meninas que foram muito pressionadas, passaram mal com o gás e mesmo assim a polícia não cedeu.
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Ainda segundo Young, não havia relato de violência física até o momento.
— Houve uma pressão forte, uma dissuasão psicológica e moral muito forte. Eu acho absolutamente desigual o aparato [usado pela PM] para a natureza da manifestação. Isso não significa que o vandalismo não deva ser reprimido. Deve ser, mas a polícia tem condições de identificar [os vândalos] aqui no DP.
Confronto
A Polícia Militar e manifestantes entraram em confronto por volta das 19h desta quinta-feira (13) na região da rua Maria Antônia. Policiais militares jogaram bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo nos manifestantes, que revidaram tacando objetos. Além disso, os jovens colocaram fogo em lixo e picharam e depredaram ônibus.
O major Lídio da Polícia Militar declarou que o descumprimento do acordo feito com o Movimento Passe Livre gerou o confronto.
— O movimento não cumpre palavra. Então, o que foi acertado é que eles viriam até a praça Roosevelt para fazer a manifestação aqui. Como eles não cumpriram o acordo, nós estamos recuando nossa linha [de bloqueio] para que depois a própria imprensa registre que eles não estão cumprindo o acordo.
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A declaração do major ocorreu minutos antes da polícia lançar bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral para dispersar o grupo de manifestantes. De acordo com a polícia, foi combinado que o grupo iria apenas até a praça Roosevelt e não seguiria pela rua da Consolação em sentido a avenida Paulista. Segundo a PM, como os manifestantes tentaram seguir em frente e não houve novo acordo com o grupo, ocorreu o lançamento das bombas.
Jornalistas detidos e feridos
Profissionais de imprensa ficaram feridos e alguns foram detidos durante a cobertura do protesto. A repórter da TV Folha Giuliana Vallone foi atingida no olho por uma bala de borracha. Ela estava na rua Augusta quando foi atingida. De acordo com a Folha de São Paulo, o repórter fotográfico Fábio Braga também foi atingido por dois disparos, sendo um no rosto e outro na virilha.
O repórter Piero Locatelli, da revista CartaCapital, e o fotógrafo do Terra Fernando Borges foram detidos nesta quinta-feira. Locatelli foi liberado após algumas horas e Borges passou 40 minutos detido junto com manifestantes.
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O secretário da Segurança Pública, Fernando Grella, determinou que a Corregedoria da Polícia Militar apure os episódios envolvendo fotógrafos e cinegrafistas durante a manifestação.
Metrô
Usuários do metrô relataram que diversas estações da Linha 2-Verde estavam fechadas por volta das 21h40 desta quinta-feira (13) por causa da manifestação contra o aumento das tarifas de ônibus em São Paulo. Segundo apuração do R7, apenas as estações Paraíso e Clínicas estavam abertas.
Além disso, a estação Trianon-Masp possuía seguranças na entrada e há relatos de usuários que não conseguiram desembarcar na estação Consolação.
Procurado pela reportagem, o Metrô informou que o funcionamento de todas as linhas era "normal".
Assista ao vídeo:













