Após morte de vigia, polícia ouve funcionários de hospital que recusou atendimento
Homem ficou cerca de uma hora agonizando na frente da unidade de saúde
São Paulo|Do R7, com Agência Record

A Polícia Civil vai ouvir a partir das 13h desta terça-feira (22) cinco pessoas ligadas ao Hospital Santo Expedito, no bairro Colônia Japonesa, na zona leste de São Paulo. Na última quarta-feira (16), o vigia Nelson França, de 48 anos, morreu após ficar uma hora agonizando na frente da unidade de saúde.
O local só recebe pacientes particulares ou de convênio, motivo alegado por um integrante da equipe de plantão para recusar o atendimento.
Segundo o delegado titular do 53º Distrito Policial, José Francisco Rodrigues Filho, alguns depoimentos foram marcados para segunda-feira (21). No entanto, algumas pessoas cancelaram o compromisso ao verificar a grande movimentação da imprensa.
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O delegado acredita que aconteceu uma situação muito grave em frente ao hospital.
— Temos certeza que algo grave aconteceu, mas só posso afirmar que houve omissão depois de apurar os fatos e ouvir todas as pessoas que estavam no local na hora em que o vigilante pedia socorro.
O caso
Uma mulher assistiu ao sofrimento do vigia e o filmou agonizando na porta do hospital. Sem atendimento, o homem acabou socorrido por uma viatura do Corpo de Bombeiros e levado a outro hospital, onde morreu. A família acredita que o hospital poderia ter salvado a vida do paciente. O laudo provisório do IML aponta que a causa da morte foi embolia pulmonar, mas o laudo definitivo deve sair em cinco dias.
A autora do vídeo já foi ouvida pelo delegado do 53º Distrito Policial — Parque do Carmo. Testemunhas disseram que ouviram os enfermeiros falarem que o vigia aparentava estar bêbado. A família não coloca culpa alguma no cobrador e no motorista de uma lotação que o levaram ao hospital.
O advogado Ademar Gomes, que representa a família de França, disse que vai entrar na Justiça e cobrar danos morais e materiais de R$ 1,5 milhão do Hospital Santo Expedido. Segundo o advogado, os processos serão por omissão de socorro. Ele afirmou ainda que, o médico e o presidente do hospital serão denunciados ao CRM (Conselho Regional de Medicina) por omissão de socorro também.
— Tanto o hospital, o presidente, os diretores e o médico serão processados na Vara Cível. Na Vara Criminal, os diretores, o médico que estava de plantão, o enfermeiro que negou atendimento e os presidentes serão processados.
O Hospital Santo Expedito informou, em nota, que determinou a abertura de sindicância para apurar o ocorrido e, caso seja apurada a responsabilidade de algum profissional do hospital, a diretoria "não hesitará em punir com rigor os eventuais envolvidos, colocando-se à disposição das autoridades policiais e do respectivo conselho de enfermagem". A unidade de saúde disse ainda que não concorda com qualquer tipo de omissão e acusa o motorista do ônibus por ter "irresponsavelmente abandonado" a vítima nas proximidades do hospital.













