Beach Park culpa fabricante por morte de turista e família contesta
Um ano após radialista Ricardo Hilário da Silva ter morrido em brinquedo, parque diz que falha é em projeto. Advogado da família tenta negociação
São Paulo|Fabíola Perez, do R7

Um ano após a morte do radialista Ricardo José Hilário da Silva em um brinquedo do parque aquático Beach Park, em Fortaleza, no Ceará, a família relata decepção diante de tentativas de dar andamento a um acordo com a empresa. “Tivemos duas reuniões recentes com os representantes do Beach Park para tentar uma composição, mas não tivemos nenhuma resposta”, afirma João Vicente Leitão, advogado da família.
O advogado que representa a mulher e a filha do radialista afirmou ao R7 que há uma tentativa de negociação referente a valores de danos morais e patrimoniais em razão da falha apresentada pelo brinquedo que levou à morte de Hilário. “O baque inicial foi muito grande”, disse. “Com o tempo, surgiu a possibilidade de o caso não ser judicializado, mas esse silêncio causa decepção e a dor que elas sentem é constante, não para.”
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Em uma viagem a turismo com a família, Ricardo estava na boia do brinquedo “Vainkará”, no dia 16 de julho do ano passado, quando caiu e bateu a cabeça. Apesar de ter sido socorrido de forma imediata, ele não resistiu e morreu ainda no estabelecimento. “Os empregados do parque tinham ciência da importância do peso, mas nenhum deles pedia essa informação aos turistas. O correto seria ter uma balança para fazer a medição”, afirma o advogado.
Por meio de nota, o Beach Park informou que recebeu o relatório da perícia externa contratada para apurar as razões que levaram à morte de Ricardo. Segundo o parque, o laudo da empresa americana ESi “comprovou que o brinquedo Vainkará apresenta falha de projeto, alterando a trajetória da boia independentemente do peso, o que foi determinante para ocorrer o acidente.”
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“O design do referido toboágua resulta em situações onde a boia se torna instável e não segura, mesmo quando o peso dos usuários soma menos que os 320 kg recomendados pela ProSlide”, diz o relatório da ESi. “O aspecto-chave do toboágua que compromete a segurança dos usuários é a trajetória seguida pela boia na segunda onda-tornado de ‘gravidade zero’. Essa trajetória irregular se dá devido ao design do toboágua”, afirma o documento.
O parque informou que o brinquedo está fechado e que a empresa contratada para a realização do projeto e instalação da atração, a Proslide, “era até então fornecedora do Beach Park.” O R7 entrou em contato com a ProSlide, mas não recebeu retorno até a publicação da reportagem.
O parque comentou ainda que recorreu à Justiça em novembro do ano passado, pedindo a anulação do laudo oficial por ter sido realizado com base “em apenas cinco testes realizados, ignorando diversos fatores observados nas simulações promovidas a pedido do parque.”
O relatório citado pelo parque afirma que “com o erro de projeto, não importa o peso da boia, pois acidentes poderiam ocorrer com qualquer peso”. O parque disse também que “o design e a configuração do toboágua resultam em trajetórias inaceitáveis, mesmo com usuários de peso dentro dos limites recomendados.”
Assistência à família
O advogado afirmou, por sua vez, que as afirmações do parque seriam “nada a mais do que recado para clientes e consumidores” e não uma real preocupação com os familiares da vítima. Segundo ele, a Polícia Forense do Ceará e a Delegacia de Proteção ao Turista realizaram relatórios e laudos que citam falhas no serviço prestado pelo Beach Park.
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Leitão diz ainda que a fabricante do brinquedo havia informado no manual que o limite de peso eram 320 kg e de altura, 1.22 metro. “Naquela boia havia 400 kg mal distribuídos”, diz ele. “Ricardo estava ao lado de uma turista também de peso leve e a disposição na boia também gerou anormalidade.”
Para o advogado, em momento nenhu o parque demonstrou preocupação com a família. “O Beach Park quer dizer que não é culpado”, afirma. Desde que ocorreu a tragédia, segundo o advogado, o parque custeou apenas o traslado do corpo de Hilário no trajeto de Fortaleza (CE) até Sorocaba (SP), onde o radialista vivia. “Não foi oferecida nenhuma assistência psicológica e na parte jurídica houve somente tentativa de procrastinar a negociação e ataques.”
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Nesse momento, diante da perícia, o parque afirma que avalia as medidas jurídicas aplicáveis ao caso. Ao longo dos últimos 12 meses, o Beach Park disse que “manteve inúmeros contatos com o advogado da família” e que “no último dia 4 de julho, o advogado da família retornou aos advogados do Beach Park com uma proposta, que está sob avaliação.” A empresa afirmou também que “prestou toda assistência às vítimas e familiares.” Em relação ao acordo em andamento, o parque disse as negociações são sigilosas.















