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Carnaval em São Paulo é marcado por violência contra a mulher 

Três mulheres foram mortas e outras duas ficaram gravemente feridas após ataques de ex-companheiros

São Paulo|Ingrid Alfaya, do R7

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Brasil tem a 5ª maior taxa de feminicídio do mundo
Brasil tem a 5ª maior taxa de feminicídio do mundo

O feriado de Carnaval no estado de São Paulo foi marcado por diversos casos de violência contra a mulher. Foram registrados pelo menos três casos de feminicídio e duas tentativas de homicídio em apenas três dias.

Uma mulher foi esfaqueada, às 12h30, do último sábado (10), na Avenida Arquiteto Vila Nova Artigas, Sapopemba, zona leste de São Paulo. Outra foi assassinada com uma caneta revólver, por volta das 2h40 desta segunda-feira (12), na Rua Aratimbó, na zona Sul. A terceira estava a 700 km da capital, em Tupi Paulista, quando foi encontrada pela filha de 8 anos com ferimentos no pescoço provocados por golpes de faca. 


Todas foram vítimas de feminicídio, mortas por ex-companheiros. O Brasil tem a quinta maior taxa de feminicídio do mundo. Segundo a promotora, Silvia Chakian, do GEVID (Grupo de atuação especial de enfretamento à violência doméstica) do Ministério Publico Estadual, a violência contra a mulher é uma epidemia. 

"É fato que em finais de semana ou em feriados prolongados o índice de violência contra a mulher aumenta. Os homens não estão trabalhando, nem elas. As vítimas ficam em casa, mais vulneráveis aos ataques", explica a promotora. 


Foi o caso de uma psicóloga em Barueri, na grande Sã Paulo. A mulher, de 30 anos, estava chegando em seu condomínio, por volta das 23h30, da quinta-feira (8), quando foi surpreendida pelo ex-companheiro. Ele a atacou por trás, deferindo mais de 15 facadas na região do pescoço e nuca. A vítima foi socorrida e levada para o Pronto Socorro Central de Barueri, onde passou por cirurgia e encontra-se internada. 

"As vítimas ficam em casa%2C mais vulneráveis aos ataques"

(Silvia Chakian, promotora)

Um passeio no litoral paulista motivou uma briga entre os pais de um menino de 7 anos. O pai queria levá-lo à praia, no último sábado (10), e a mãe não autorizou a viagem. O ex-marido, então, tentou jogá-la por cima de um muro com oito metros de altura na Freguesia do Ó, zona norte da capital. Os familiares conseguiram impedir o crime, mas antes de fugir ele a agrediu. O homem responderá por tentativa de homicídio e lesão corporal.


"A gente ainda vive em um mundo do poder masculino, do homem que não pode ser contrariado, que exerce sentimento de posse pela companheira ou ex-companheira", afirma a psicalinalista Elizabeth Antonelli, membro da Sociedade Brasileiera de Psicanálise. De acordo com ela, muitas mulheres não percebem a violência que vivem e relevam situações sintomáticas em nome da família ou para não ficarem sozinhas. "Nós vemos no consultório mulheres que relatam situações de violência sem nem perceber o impacto delas, muitas vezes por medo"

"A gente ainda vive em um mundo do poder masculino%2C do homem que não pode ser contrariado"

(Elizabeth Antonelli, psicanalista)

Tanto para a promotora, Silvia Chakian, quanto para a psicanalista, Elizabeth Antonilli, o que pode diminuir esses índices é a prevenção. "Precisamos de uma ação integrada, políticas públicas de combate e prevenção à violência doméstica associadas à educação e proteção da mulher", diz a promotora. "A mulher precisa se sentir segura e entender que é preciso enfrentar a violência para combatê-la", completa a psicanalista.

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