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Caso Sophia: “delegada já tinha um julgamento”, diz defesa

Advogado de defesa de Ricardo Najjar, condenado por homicídio, afirma que a Polícia Civil buscou provas somente para incriminar o pai de Sophia

São Paulo|Fabíola Perez, do R7

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A pena de Ricardo Najjar, pai de Sophia, de 4 anos, foi de 24 anos, 10 meses e 20 dias de reclusão
A pena de Ricardo Najjar, pai de Sophia, de 4 anos, foi de 24 anos, 10 meses e 20 dias de reclusão

Após a condenação de Ricardo Krause Esteves Najjar, pai da menina Sophia, de quatro anos, por homicídio, o advogado de defesa Antonio Fernandes Ruiz Filho afirmou à reportagem do R7 que irá recorrer da decisão do Tribunal do Júri. “Foi extremamente injusto”, afirmou. 

Após duas sessões, a pena foi definida na madrugada da quinta-feira (1) em 24 anos, 10 meses e 20 dias. A garota morreu sufocada por esganadura, em dezembro de 2015, no apartamento de Najjar no bairro do Jabaquara, zona sul de São Paulo.


Segundo a defesa, quando a delegada titular da 5ª Delegacia de Repressão a Crimes contra Crianças e Adolescentes do DHPP Ana Paula Rodrigues chegou ao apartamento de Najjar, em dezembro de 2015, ela teria um julgamento prévio do ocorrido. "Ela só colheu provas contrárias a ele", afirmou.

Um dos momentos mais emblemáticos do júri foi quando a também advogada de defesa Mariana Souza questionou se a perícia teria constatado a presença de água no chuveiro e da tolhada molhada supostamente utilizada por Najjar. Ana Paula afirmou, em depoimento, que todo o apartamento foi fotografado pela perícia técnica.Procurada pela reportagem, a delegada afirmou que mantém o que foi dito durante o julgamento e atestado pela sentença. 


Diante do resultado do júri, o advogado de defesa afirma que entrará com recurso alegando irregularidade no julgamento. "Percebemos também contradições nas respostas dos jurados." O recurso, porém, não altera o resultado do Júri. 

Lesões e desespero


Outro ponto amplamente debatido foram as lesões no corpo de Sophia, constatadas pelas imagens da perícia. "Nós entendemos as lesões que o médico legista citou como cadavéricas, ou seja, que aparecem no corpo somente após a morte", diz Ruiz Filho. "Não foram provocadas pelo Ricardo. Elas aparecem por conta da modificação do corpo após a morte."

Os advogados de acusação também questionaram a reação de Najjar na ligação para o Samu no dia da morte de Sophia. No áudio, a então namorada Isabela é quem acata as instruções de emergência para reavivar a menina. Além disso, o advogado de acusação Alberto Zacharias Toron indagou porque o pai, mesmo com formação em primeiros socorros, não atendeu a garota no momento em que a viu com o saco plástico na cabeça.


"Eles queriam que o Ricardo tivesse uma reação racional ao ver a filha morta", afirmou. "Uma coisa é ser médico de um paciente outra coisa é ser médico do próprio filho", diz. "Exigir que ele tivesse reagido de uma determinada forma é desumano. A pessoa não tem a mesma capacidade de reação."

Em relação ao momento em que a mãe de Sophia Ligia Cancio revelou que o então namorado sugeriu que ela interrompesse a gestação, Ruiz Filho também se posicionou: "para dois jovens com 18 anos, a gravidez representa um grande problema". Agora, os advogados de defesa de Ricardo Najjar tem até a próxima terça-feira (6) para recorrer da decisão.

Segundo a defesa, Najjar está "arrasado" após a condenação. "A pena decorre de um homicídio qualificado e, ao meu ver, tais qualificadores não existem. Não há um motivo para ele ter feito essa monstruosidade", afirmou. "Nós provamos uma coisa e os jurados decidiram outra."

Das oito testemunhas de defesa previstas para serem ouvidas, apenas três falaram ao tribunal: o pai de Najjar, a esposa Isabela e o presidente do movimento de escoteiros do qual o pai de Sophia fazia parte na época. "Escolhemos esses três depoimentos porque a inocência de Ricardo estava ficando clara para todos", diz o advogado. “Não eram necessários os demais ”, disse Ruiz Filho.

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