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Cinco suspeitos de espancar até a morte dona de casa no Guarujá irão a júri popular

Entre as dezenas de pessoas que lincharam Fabiane após boato, apenas cinco serão julgadas

São Paulo|Caroline Apple, do R7

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Fabiane deixou duas filhas, uma delas bebê
Fabiane deixou duas filhas, uma delas bebê

O clima é de saudade na casa de Fabiane Maria de Jesus, que morreu aos 33 anos, três dias após ser vítima de um espancamento coletivo. O caso aconteceu há pouco mais de um ano no bairro de Morrinhos, no Guarujá, litoral de São Paulo. Apesar da brutalidade com que foi tirada do convívio de seu marido, o porteiro Jaílson Alves das Neves, de 41 anos, e de suas duas filhas, a sensação na modesta casa da família é de superação e carinho, que não deixa espaço para a revolta. E, como em qualquer caso semelhante, os parentes querem justiça.

De todas as pessoas que aparecem no vídeo espancando a dona de casa, apenas cinco foram reconhecidas e presas na época.


Durante visita da reportagem do R7 à casa de Fabiane, na última quinta-feira (11), o advogado da família, Airton Sinto, revelou que os suspeitos serão levados a júri popular.

A camareira Andressa de Oliveira Gino, de 24 anos, sobrinha e amiga íntima da vítima, não se conteve de tanta felicidade com a notícia. Sentada em um banco na sala da casa da família, ela bateu palmas e os pés no chão, sorriu e deixou claro onde quer estar no dia do julgamento.


— Vou estar na primeira fila, olhando no olho de cada um deles.

Jaílson ficou feliz com a notícia do júri popular e considera esse tipo de julgamento justo para os acusados, mas lamenta que os demais envolvidos nas agressões nunca pagarão pelo que fizeram.


— A condenação dessas cinco pessoas é de certa forma uma justiça, mas existem outras pessoas que aparecem no vídeo batendo e xingando que ficarão impunes.

Moradora a vida toda do Guarujá, Andressa conta que encontrou no último ano pessoas envolvidas no espancamento, mas que não foram indiciadas, e também familiares dos suspeitos.


— Até no velório alguns tiveram a cara de pau de ir. Uma vez fui a uma festa e encontrei o irmão de um dos acusados. Ele me viu e foi embora. É difícil controlar a raiva. Mas, quando penso em fazer alguma besteira, logo vem na minha cabeça os meus filhos e os filhos da Fabiane, que sempre foi uma mãe para mim, então preciso ajudar a cuidar de todo mundo.

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Aguardam o julgamento em regime fechado os suspeitos Abel Vieira Batalha Junior, de 19 anos, Jair Batista dos Santos, de 36 anos, Lucas Rogério Fabrício Lopes, de 20 anos, Valmir Barbosa, de 49 anos, e Carlos Alex Oliveira de Jesus, de 24 anos.

Os cinco aparecem nas imagens agredindo a dona de casa ao lado de outras dezenas de pessoas. Valmir Barbosa, por exemplo, foi identificado como o homem que bateu em Fabiane com uma tora de madeira.

Fabiane foi amarrada e arrastada na rua por multidão em fúria
Fabiane foi amarrada e arrastada na rua por multidão em fúria

O “envolvido” que escapou

Toda a confusão começou porque uma página na internet chamada “Guarujá Alerta” publicou a imagem do retrato falado de uma suposta sequestradora de crianças e praticante de magia negra que agia na região. Apesar de a polícia não registrar nenhuma ocorrência de desaparecimento na época, a população ficou com medo.

Não se sabe exatamente em que momento alguém apontou para Fabiane na rua e a “reconheceu”, mas tudo começou por causa da divulgação do boato. O retrato falado era realmente de uma sequestradora, porém que agia no Rio de Janeiro e nada tinha a ver com magia negra. Foi tudo uma invenção que custou a vida de Fabiane.

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O dono da página foi isentado da responsabilidade da divulgação do boato que levou a dona de casa à morte. E, para evitar que isso volte a acontecer, um projeto de lei tramita na Câmara dos Deputados para instituir o crime de incitação virtual, que, se aprovado, será acrescido ao decreto de lei nº 2.848, de 1940, do Código Penal. O autor da proposta é o deputado Ricardo Izar (PSD), e o texto foi redigido pelo advogado da família.

O texto diz que quem publicar, por meio de rede social ou qualquer veículo de comunicação virtual, conteúdo que incite a prática de crime ou violência à pessoa poderá pegar de três a seis anos de prisão e pagar uma multa. Caso a veiculação do material termine com lesão corporal ou morte da vítima, a pena será agravada em um terço.

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