Cirurgião plástico que operou motorista morta durante lipoaspiração é suspenso
Wagner Fiorante não poderá exercer a medicina por tempo indeterminado
São Paulo|Ana Cláudia Barros, do R7, com Estadão Conteúdo

O cirurgião plástico Wagner Fiorante não poderá exercer suas atividades profissionais por tempo indeterminado. No site do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo), o cadastro dele aparece inativo e não há uma data especificando quando será o fim da suspensão, em vigor desde o dia 20 de março. O conselho cumpriu uma ordem judicial, decretada a partir de pedido da Polícia Civil.
O médico foi responsável pela cirurgia de lipoaspiração e de colocação de implantes de silicone da motorista Maria Irlene Soares da Silva, de 43 anos, em dezembro do ano passado. A paciente morreu durante o procedimento, realizado na clínica dele, na Vila Nova Conceição, bairro nobre da zona sul de São Paulo.
Laudo necroscópico obtido pelo R7apontou que Maria Irlene teve a artéria aorta abdominal perfurada. Segundo o exame, realizado pelo IML (Instituto Médico Legal) Central, a morte da motorista ocorreu após “lesão traumática da artéria aorta abdominal, com hemorragia imediata e intensa".
O laudoconfirmou a declaração de óbito da vítima, que indicava “hemorragia interna aguda traumática” e acrescentou que ela foi provocada por “por agente corto-contundente”.
— O instrumento que causou a lesão letal acidental foi uma cânula de lipoaspiração. Por seu mecanismo de ação (sucção através de abertura subapical) e pela configuração da lesão causada, pode ser classificado como agente corto-contundente.
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O caso foi investigado no 15º Distrito Policial e o médico responde por homicídio culposo (sem intenção de matar).Fiorante responde pelo mesmo crime em razão da morte de outra paciente, operada em abril do ano passado. A mulher, também submetida à cirurgia de lipoaspiração, morreu em decorrência de uma hemorragia interna aguda em consequência de lesões de vasos abdominais.
Em entrevista ao R7, publicada no final de fevereiro deste ano, o cirurgião afirmou que considerava o caso de Maria Irlene uma “fatalidade”.
— Mesmo quando procuramos dar o nosso melhor, ocorre uma fatalidade como essa que aconteceu. E ela não leva apenas a vida do paciente, leva também muito da nossa própria vida, da nossa história, e deixamos para trás 30 anos de bem-sucedida carreira médica, na qual temos a consciência de que muito fizemos pelo nosso semelhante, para nos fixarmos apenas no acontecido.













