Com cerco fechado contra vândalos, SP terá mais um dia de protesto nesta quarta-feira
Manifestantes se concentrarão no vão do Masp e deverão caminhar até a Assembleia Legislativa
São Paulo|Do R7

A cidade de São Paulo terá mais uma noite de protesto por melhorias na Educação, nesta quarta-feira (9). O ato deverá ocorrer na avenida Paulista, mesmo após o secretário da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, anunciar que a Polícia Militar poderá voltar a usar balas de borracha e a “força progressiva” durante manifestações violentas.
O uso da bala de borracha durante manifestações havia sido proibido, em junho, pelo próprio secretário. Grella voltou atrás, após o protesto que deixou um rastro de destruição na segunda-feira (7), e disse, ontem, que a munição não letal pode ser usada contra “grupos de vândalos”. Ele não esclareceu, no entanto, qual será o critério da PM para definir um vândalo durante um protesto.
A manifestação de segunda-feira terminou com 14 detidos e oito feridos, sendo que cinco permaneceram presos. Os indiciamentos foram endurecidos. Um casal foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional, por ser suspeito de depredar uma viatura da Polícia Civil. Eles também foram indiciados por porte de arma de uso restrito — porque portavam uma bomba de gás lacrimogêneo —, por formação de quadrilha, incitação ao crime, pichação e dano qualificado.
A concentração para o ato de hoje está marcada para começar às 16h, no vão livre do Masp. Estudantes da USP (Universidade de São Paulo) e da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) marcaram o protesto. De acordo com o evento criado no Facebook, também foram convidados integrantes do movimento estudantil estadual. O protesto é “contra a precarização e a falta de democracia nas universidades estaduais paulistas”, segundo os organizadores.
Até as 20h de terça-feira (8), cerca de 350 pessoas haviam confirmado presença no ato. No entanto, os organizadores esperam um público maior, já que foi confirmada a participação dos alunos da Unicamp. Em Campinas, os estudantes são contra a presença da PM no campus da universidade.
Às 17h, o grupo deverá começar a caminhar pela avenida Paulista e descer a avenida Brigadeiro Luís Antônio até a Assembleia Legislativa.
Leia mais notícias de São Paulo
Segunda-feira
O protesto da noite de segunda-feira, no centro de São Paulo, teve estabelecimentos comerciais e bancos depredados. Ao menos seis agências bancárias foram vandalizadas, assim como uma lanchonete do Habib’s e outra do McDonald’s, um mercado, um hotel e uma concessionária de carros.
A passeata também começou na avenida Paulista e seguiu até a Secretaria de Estado da Educação, onde começou o tumulto. A PM diz que o confronto foi iniciado após uma bomba caseira ter sido jogada contra o cordão de isolamento formado por PMs. A corporação também atribui como causadores da confusão integrantes do Black Bloc — grupo de pessoas que normalmente cobrem os rostos e se envolvem em atos de vandalismo durante manifestações.
Na terça-feira (8), o secretário também anunciou a criação de uma força-tarefa para agilizar a identificação dos suspeitos de praticar atos de vandalismo e violência e concluir as investigações.













