Defesa diz que Gil Rugai não teria tempo suficiente para matar pai e madrasta e voltar ao escritório em 40 minutos
Para delegado, porém, acusado conhecia a casa e atirou antes de sair do imóvel
São Paulo|Ana Cláudia Barros, do R7

Iniciado pouco após das 13h30 desta terça-feira (19), o depoimento do delegado Rodolfo Chiarelli, quinta e última testemunha de acusação a ser ouvida durante o julgamento de Gil Rugai, foi retomado por volta das 15h30, após breve intervalo. A defesa tentou sustentar que o acusado não teria tempo suficiente para assassinar o pai e a madrasta por volta das 21h30, na casa das vítimas, em Perdizes, e realizar um telefonema, do escritório dele, na rua José Maria Lisboa, nos Jardins, às 22h10.
Usando uma lousa, o advogado Thiago Anastácio ressaltou que Rugai teria que se deslocar por uma distância de 4,5 km, jogar a arma do crime no reservatório de águas pluviais do prédio, subir até o 11º andar, conversar com a faxineira, trocar de roupa no banheiro e fazer a ligação.
Mas a explicação não abalou o delegado. Chiarelli ressaltou que, na avaliação dele, o que foi apurado no inquérito não havia mudado. Enfatizou ainda que o assassino conhecia a casa onde o crime ocorreu e que acreditava fielmente que após os tiros, Gil havia saído do imóvel.
Leia mais notícias de São Paulo
Jurado passa mal durante segundo dia de julgamento
“Eu não matei, sou inocente”, diz Gil Rugai ao chegar ao fórum
A defesa destacou ainda que, na ocasião da fraude na Referência Filmes, empresa de Luiz Carlos Rugai, pai de Gil, o rapaz não participava mais do dia-a-dia das finanças da firma e que esta função estava a cargo da mesma testemunha que colocou o vigia Domingos novamente no caso. A funcionária teria ouvido uma conversa do segurança na qual ele comentava que sabia quem tinha cometido o crime, mas não era louco em dizer. Depois disso, o vigia foi novamente convocado pela polícia e deu um novo depoimento afirmando ter visto Gil Rugai sair da mansão na noite do duplo homicídio.
As investigações apontaram que Gil Rugai teria dado um desfalque na empresa do pai, falsificando a assinatura do publicitário em cheques da produtora. O delegado afirmou que o próprio Gil chegou a admitir que teria assinado no lugar de Luiz Carlos, o que supostamente teria sido feito com autorização. Mas na época, Alessandra, madrasta do jovem, também morta na em 28 de março de 2004, chegou a pedir a microfilmagem dos cheques, colocando em xeque a versão.
A defesa enfatizou que a solicitação de Alessandra foi feita quando a funcionária estava à frente do departamento financeiro. Os defensores lembraram ainda que o crime de estelionato, a que Gil Rugai respondia, foi prescrito.













