Desavença ou ordem de facção pode ter motivado morte de assassinos de menino boliviano
Polícia trabalha com duas principais linhas de investigação sobre o caso “incomum”
São Paulo|Thiago de Araújo, do R7

Os assassinatos de Diego Rocha Freitas Campos, de 20 anos, e Wesley Pedroso, de 19, podem ter sido motivados por ordem de uma facção criminosa ou por uma desavença no mundo do crime. Essas são as duas principais linhas de investigação da polícia a respeito da morte dos dois, que eram acusados pelo assassinato do menino boliviano Brayan Yanarico Capcha, de cinco anos, no dia 28 de junho deste ano, na zona leste de São Paulo.
Quatro dos cinco acusados de participação no crime foram mortos em condições ainda misteriosas. O corpo de Campos, achado no dia 7 de julho, só foi identificado nesta quarta-feira (11). Um dia antes, o cadáver de Pedroso também foi identificado. Ambos estavam foragidos da Justiça e foram achados em um matagal, no Jaçanã, na zona norte da capital.
Já Paulo Ricardo Martins, de 19 anos, e Felipe dos Santos Lima, de 18, estavam presos, mas morreram no CDP (Centro de Detenção Provisória) de Santo André, no dia 30 de agosto.
O DHPP (Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa) está investigando as duas mortes dos foragidos, em condições “incomuns”, segundo o delegado Itagiba Vieira Franco. Ele procurou não fazer suposições, mas confirmou ao R7 que a possibilidade de uma conhecida facção criminosa, que opera no sistema prisional de São Paulo e em outros Estados, não está descartada pela investigação.
— Não estamos afirmando nada nesse momento. Acho que pode ser um monte de coisas, então não podemos nos ater a uma única linha de investigação. É difícil afirmar nesse momento que eles tenham sido mortos por uma facção, até porque os corpos dos dois (Campos e Pedroso) foram encontrados em regiões diferentes.
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No último dia 26 de agosto, o promotor Roberto de Almeida Salles denunciou o quarteto que morreu, mais um jovem de 17 anos (também envolvido na morte do boliviano e que está preso em uma sede da Fundação Casa), à Justiça. Na denúncia, informações do inquérito dão conta que Campos, acusado de ter disparado contra a cabeça de Brayan Yanarico Capcha, se escondeu na casa de uma namorada de um colega que está preso. Durante um cerco da polícia, no início de julho, ambos conseguiram fugir.
Itagiba Franco disse também que desavenças no mundo do crime envolvendo os criminosos não podem ser descartadas neste momento. O delegado ainda evitou comentar a respeito de uma suposta norma que existe entre os integrantes da facção criminosa, a qual não aceitaria a morte de crianças, o que teria sido o estopim para o assassinato dos envolvidos.
— Vamos verificar todos os pontos antes de definir a motivação e a autoria. As investigações serão aprofundadas antes de qualquer prognóstico.
Investigação aguarda exames sobre envenenamento
As mortes de Paulo Ricardo Martins e Felipe dos Santos Lima no CDP de Santo André estão sendo investigadas pelo Setor de Homicídios da Delegacia Seccional da cidade da Grande São Paulo. A reportagem do R7 tentou ouvir o delegado Paulo Rogério Dionízio, responsável pelo caso, mas ele pediu para não falar sobre o caso neste momento.
O que se sabe é que a polícia aguarda o resultado de exames para saber se os dois presos foram envenenados, como foi a suspeita inicial, ainda no presídio, entre os carcereiros e agentes que encontraram os corpos. Tais levantamentos poderão comprovar ou não se a dupla ingeriu o que é conhecido no sistema prisional como “gatorade”, uma mistura de água, cocaína, creolina e medicamentos.
Relembre o caso:













