São Paulo Entre mansões e favelas, Morumbi lidera assassinatos de jovens em SP

Entre mansões e favelas, Morumbi lidera assassinatos de jovens em SP

Taxa de homicídios entre pessoas de 15 a 29 anos no distrito da zona sul paulistana é de 58,9 por 100 mil habitantes, segundo Mapa da Desigualdade

  • São Paulo | Kaique Dalapola, do R7

Frase em viela na favela de Paraisópolis

Frase em viela na favela de Paraisópolis

Kaique Dalapola/R7

Dividido entre casas de alto padrão, com moradores ricos, e a comunidade de Paraisópolis, segunda maior favela de São Paulo, o Morumbi é o distrito paulistano com maior taxa de homicídios entre jovens de 15 a 29 anos, conforme dados do Mapa da Desigualdade 2020, divulgado pela Rede Nossa São Paulo na última quinta-feira (29).

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O distrito da zona sul de São Paulo tem a taxa de 58,9 homicídios de jovens para cada 100 mil habitantes. Segundo os dados, o número é mais do que o dobro da média paulistana, que é de 21 homicídios de jovens para 100 mil habitantes.

Segundo a coordenadora da Rede Nossa São Paulo, Carolina Guimarães, o mapa mostra que os homicídios acontecem muito nas periferias e áreas mais vulneráveis, “onde acontece uma segregação urbana”.

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Na sequência do Morumbi como distritos mais violentos para a juventude, de acordo com a pesquisa, aparecem São Miguel (51,6), Brasilândia (47,4) e Marsilac (42,2), na zonas leste, norte e sul, respectivamente. O nível de desigualdade é 14,9 vezes, na comparação do distrito com menos homicídios de pessoas de 15 a 29 anos e o que mais matou jovens na cidade.

Carolina ressalta que, embora o Morumbi não esteja na periferia paulistana, na região se tem muitas comunidades, como Jardim Colombo, Real Parque, além de boa parte de Paraisópolis. A outra parte da segunda maior favela paulistana faz parte da Vila Andrade. Esta, por sua vez, tem a taxa de homicídios de jovens de 15,4 por 100 mil habitantes.

Para ilustrar isso, outro indicador do Mapa da Desigualdade aponta a proporção de favelas no distrito. Conforme os dados, a Vila Andrade é tem a terceira maior ocupação com favelas, sendo 34,7% do total — atrás apenas de Jardim São Luís (69,5%) e Jardim Ângela (53,9%), todos na zona sul. Já o Morumbi é constituído por 14,3% de favelas.

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A coordenadora da Rede Nossa São Paulo explica ainda que a diferença no número de jovens no Morumbi e na Vila Andrade impactam no resultado da taxa de homicídios. O primeiro tem cerca de 10 mil jovens, enquanto há em torno de 38 mil pessoas com idades de 15 a 29 anos na Vila Andrade, conforme explicou Carolina.

Os dados de homicídios de jovens usados pela Rede Nossa São Paulo são de 2017, e usou como fonte o Programa de Aprimoramento das Informações de Mortalidade, da Prefeitura de São Paulo, a CEInfo (Coordenação de Epidemiologia e Informação), da Secretaria Municipal de Saúde, e a Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados).

Conforme as informações da Rede Nossa São Paulo, os dados incluem também os casos de mortes em intervenções legais. Isso significa Jackson Saracho de Lima integra essa pesquisa, pois ele foi morto aos 23 anos, em uma ação da Polícia Militar na favela de Paraisópolis, no dia 14 de novembro de 2017.

Na época, as informações oficiais indicaram que os policiais estavam em patrulhamanto na comunidade. Quando Jackson percebeu a aproximação da viatura, teria tentado correr. Os policiais foram atrás, e após supostamente troca de tiros, o rapaz foi baleado e morreu no hospital. Nenhum policial ficou ferido e testemunhas contrariam a versão dos PMs — afirmam que não houve troca de tiros.

Participação de candidatos

O lançamento do Mapa da Desigualdade 2020, na manhã de quinta-feira, contou com a participação dos candidatos à Prefeitura Bruno Covas (PSDB), Guilherme Boulos (PSOL), Jilmar Tatto (PT) e Márcio França (PSB). Dos cinco mais bem colocados nas pesquisas e convidados pela Rede Nossa São Paulo, apenas Celso Russomanno (Republicanos) não participou.

Durante o evento, cada candidato teve oito minutos, divididos em duas rodadas, para falar sobre o tema. Ao final, eles se comprometeram a assinar a carta compromisso da Rede Nossa São Paulo. Os demais concorrentes na corrida eleitoral deverão participar de uma nova rodada de debates na próxima semana.

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