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Especialistas em segurança aprovam ocupação em São Paulo

Para ex-comandante do Bope, ocupar espeço é acerto

São Paulo|Do R7

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Operação Saturação, em Paraisópolis, foi montada após onda de violência na Grande São Paulo
Operação Saturação, em Paraisópolis, foi montada após onda de violência na Grande São Paulo NILTON FUKUDA/ESTADÃO CONTEÚDO

Especialistas em segurança pública ouvidos pela reportagem aprovam a ocupação da favela de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, pela Polícia Militar como forma de combater a recente onda de atentados contra PMs. Na segunda-feira (29), pela primeira vez o governo do Estado admitiu que a ordem para executar policiais partiu de traficantes do PCC (Primeiro Comando da Capital) que se abrigam na comunidade.

Paulo Storani, antropólogo, pesquisador da Universidade Cândido Mendes e ex-capitão do Bope (Batalhão de Operações Especiais) da PM do Rio, diz que a ocupação de Paraisópolis representa uma mudança na estratégia de segurança das autoridades paulistas.


- Em vez de a polícia ficar nas ruas esperando os ataques acontecerem para reagir, optou-se acertadamente por ocupar o espaço de onde partem as ordens para o cometimento destes crimes. A presença da polícia na favela vai permitir que esses traficantes sejam identificados e presos. Para termos certeza de que a estratégia deu certo, com o fim dos ataques, temos que esperar para ver qual será a resposta dos traficantes. Ou os atentados vão cessar ou então passarão a ser coordenados de outras favelas.

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Coordenador do Crisp (Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública) da Universidade Federal de Minas Gerais, Cláudio Beato Filho também apoia a ocupação de Paraisópolis pelas forças policiais.

- Ao contrário dos traficantes do Complexo do Alemão, no Rio, que detinham total controle do território, os bandidos de Paraisópolis controlam a favela, mas a polícia sempre conseguiu entrar lá mas não permanecia. O que está se fazendo agora é o que deveria ser feito no dia a dia.


Beato criticou a falta de transparência das autoridades paulistas sobre as causas e efeitos da recente onda de violência na capital.

- Não sei qual é o tamanho real do problema em São Paulo. No Rio, a Secretaria de Segurança diz claramente o que vai ser feito.


Comandante da PM do Rio na época da ocupação dos Complexos da Penha e do Alemão pelas forças de segurança, em novembro de 2010, o coronel Mário Sérgio Duarte defende que a partir de agora a presença da PM em Paraisópolis seja permanente.

- No Rio, a política de segurança em relação às favelas era invasiva. Privilegiava-se a prisão de marginais e a apreensão de drogas e dos seus arsenais de guerra. Mas isso não desconstruía a `ideologia do tráfico', a zona de conforto, de exibição e de prazer dos bandidos.

Segundo o oficial, a partir das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), optou-se pela ocupação permanente destes locais, o que significa, na prática, o resgate desses territórios para as forças do Estado.

- Aí sim, com a área sob controle da polícia, inicia-se a retirada de suas armas e a quebra de seus braços econômicos, como a distribuição irregular de sinal de TV a cabo, ágio no botijão de gás, taxas sobre vendas de casas nas favelas, etc. A polícia de São Paulo está num bom caminho se ocupar essas comunidades e desconstruir a ideologia da facção [PCC].

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