Estiagem: cidades do interior cadastrarão poços para emergência
Reservatórios do Sistema Cantareira estão com pior nível desde em 1974
São Paulo|Do R7

Representantes de empresas de água de cidades do interior paulista cortadas pela Bacia dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí — de onde sai a maior parte da água do Sistema Cantareira, que abastece 47% da Grande São Paulo — decidiram nesta quinta-feira (6), iniciar o cadastramento dos poços profundos, particulares e de indústrias, e dos caminhões-pipas existentes para que possam recorrer a eles, caso a seca atípica de verão comprometa ainda mais os níveis dos reservatórios.
O Cantareira, um sistema de seis reservatórios que represa água dos rios do interior para abastecer a Região Metropolitana, está com seu pior nível desde que começou a ser construído, em 1974, atingiu ontem 20,6% de sua capacidade, como explica o secretário-executivo do Consórcio do PCJ, Francisco Lahoz.
— Não estamos dizendo que vamos parar uma indústria e usar a água deles para abastecimento, mas há muitos poços que podem ser uma saída em uma situação mais crítica.
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O grupo defendeu que as prefeituras, por meio de decreto, podem usar água desses poços para garantir o abastecimento público, caso os reservatórios sequem.
— Não estamos muito distantes disso, o Cantareira atingiu 20,6% de sua capacidade. Menos que isso, ele deixa de funcionar de forma integrada.
Oficialmente cadastrados no DAEE (Departamento de Água e Energia Elétrica), órgão do Estado que dá outorga para retirada de água, existem 4.571 poços profundos na região da bacia do PCJ. Mesmo que o volume de águas obtido seja baixo, ele servirá para um cenário de emergência, defenderam os municípios.
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Emergência
Na reunião do Grupo de Eventos Extremos do Consórcio da Bacia do PCJ, em Americana, os municípios e empresas de água do interior definiram ao todo 25 medidas que devem ser tomadas para amenizar o problema. Além do cadastro, outra medida foi a orientação para decretação de emergência ou calamidade, conforme o caso, devido à estiagem.
Nesta quinta-feira, Valinhos decretou estado de emergência e começa nesta sexta-feira um racionamento de 18 horas por dia, que vai atingir duas áreas da cidade, em esquema de rodízio. Foi anunciada também a aplicação de multa de R$ 336 para quem for flagrado desperdiçando água, com lavagem de calçada e carros. A mesma medida havia sido tomada em Campinas, onde a prefeitura teve que fazer obras emergenciais para evitar o desabastecimento.
As prefeituras de Campinas e Americana realizaram essa semana obras emergenciais de aprofundamento das calhas dos rios, nos pontos de captação, por conta do baixo nível dos afluentes, para tentar adiar a necessidade de racionamento no abastecimento.













