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Estiagem histórica: comitê anticrise sugere multa por gasto de água

Na terça-feira, o Sistema Cantareira estava com 19,4% da capacidade, o menor nível da história

São Paulo|Do R7

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Comitê anticrise quer que prefeituras adotem medidas efetivas para coibir o desperdício de água
Comitê anticrise quer que prefeituras adotem medidas efetivas para coibir o desperdício de água

Após o programa de descontos criado pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) para quem reduzir o consumo de água na Grande São Paulo, o comitê anticrise criado para tentar evitar o racionamento generalizado nas cidades abastecidas pelo Sistema Cantareira deve propor nesta quarta-feira (12) que prefeituras paulistas adotem medidas efetivas para coibir o desperdício.

Entre as medidas estão a aplicação de multas por desperdício, além da cobrança para que entidades que representam as indústrias e os grandes produtores rurais estimulem o uso racional da água.


Em reunião nesta quarta-feira, o grupo formado pela ANA (Agência Nacional de Águas), do governo federal, pelo DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica), órgão estadual, pela Sabesp, e pelos PCJ (comitês das bacias do Alto Tietê e dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí) também vai avaliar a possibilidade de usar o chamado "volume morto" (o fundo dos reservatórios) do manancial, conforme antecipou o Estado.

Serão apresentados laudos técnicos sobre a "vida útil" do Cantareira em diferentes simulações, como no cenário atual, mantendo-se a quantidade de água retirada dos reservatórios e o volume diário de chuva, ou utilizando a captação da reserva profunda, que tem cerca de 200 bilhões de litros. As sugestões serão apresentadas para decisão do governador Geraldo Alckmin (PSDB).


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Para os órgãos que gerenciam os recursos hídricos, porém, a maior preocupação não é com o abastecimento hoje, mas se haverá água suficiente para o período de estiagem, no meio do ano. Na terça-feira (11), o Cantareira estava com 19,4% da capacidade, o menor nível da história.

Dentro do governo, a apreensão diante de um eventual racionamento aumenta à medida que as fortes chuvas previstas para a segunda quinzena deste mês vão se afastando para o início de março. Historicamente, quando um verão é seco, a estiagem costuma se agravar entre o outono e o inverno.


Por isso, o comitê anticrise vai incentivar que outras concessionárias de abastecimento da Grande São Paulo adotem medidas como a da Sabesp, que economizou 302 milhões de litros na primeira semana. Além disso, como as empresas não podem multar quem desperdiça água, será discutido também o estímulo para que as prefeituras aprovem leis que apliquem sanções para coibir abusos.

Bombardeio

Vislumbrando o cenário pessimista, a Sabesp decidiu gastar R$ 4,47 milhões por um serviço de bombardeamento de nuvens para indução de chuvas artificiais no Cantareira pelos próximos dois anos. Até sexta-feira, contudo, dos cinco voos feitos pela empresa Modclima Pesquisa e Desenvolvimento na região de Bragança Paulista, apenas dois resultaram em precipitações — sem quantidade suficiente para elevar o nível do Cantareira. O Estado revelou, na semana passada, que a empresa usa o serviço.

Barragens

Na terça-feira, o secretário de Saneamento e Recursos Hídricos, Edson Giriboni, disse que está em curso a licitação para construir as barragens de Pedreira e Duas Pontes, na região de Piracicaba, com capacidade para até 75 bilhões de litros. 

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