Júri de massacre do Carandiru é formado por cinco mulheres e dois homens
Julgamento de 26 PMs acusados de matar presos do primeiro pavilhão começa nesta segunda
São Paulo|Ana Ignacio, do R7

O Conselho de Sentença do julgamento de 26 policiais militares acusados do massacre do Carandiru é formado por cinco mulheres e dois homens. Ao todo, 24 réus compareceram ao Fórum da Barra Funda na manhã desta segunda-feira (8), primeiro dia de júri.
Os acusados são PMs da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) que estavam no 2º pavimento (primeiro andar) do pavilhão nove. São eles: Ronaldo Ribeiro dos Santos; Aércio Dornelas Santos; Wlandekis Antonio Candido Silva; Roberto Alberto da Silva; Antonio Luiz Aparecido Marangoni; Joel Cantilio Dias; Pedro Paulo de Oliveira Marques; Gervásio Pereira dos Santos Filho; Marcos Antonio De Medeiros; Paulo Estevão De Melo; Haroldo Wilson De Mello; Roberto Yoshio Yoshikado; Fernando Trindade; Salvador Sarnelli; Argemiro Cândido; Elder Tarabori; Antonio Mauro Scarpa; Marcelo José de Lira; Roberto do Carmo Filho; Zaqueu Teixeira; Osvaldo Papa; Reinaldo Henrique de Oliveira; Sidnei Serafim dos Anjos; Eduardo Espósito; Maurício Marchese Rodrigues; Marcos Ricardo Poloniato. Não estão presentes no julgamento os réus Argemiro Cândido e Reinaldo Henrique de Oliveira.
Eles respondem por homicídio qualificado — com uso de recurso que dificultou a defesa da vítima – de 15 detentos durante a ação policial realizada no dia 2 de outubro de 1992 para conter uma rebelião da Casa de Detenção em São Paulo. Ao todo, 111 presos foram mortos.
Com um público de menos de 30 pessoas, o julgamento começou por volta das 11h com o sorteio dos jurados.
O tribunal de Justiça confirmou também que cinco testemunhas de acusação estão presentes, sendo dois sobreviventes - um ex-presidiário e um que ainda está detido.
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Banco dos réus
Os 24 PMs presentes no julgamento estão divididos em fileiras. Sem fardas, os acusados conversavam entre si enquanto aguardavam o júri ler a sentença de pronúncia. Os jurados tiveram uma hora para ler o material. Durante esse período de leitura, a imprensa foi retirada do plenário.
O julgamento entrou em pausa para o almoço às 12h20 e deve retornar com o depoimento de um sobrevivente do massacre de 1992.
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Inicialmente, 28 PMs deveriam ser julgados pela ação no 2º pavimento, mas dois morreram. A acusação será feita pelos promotores de Justiça Fernando Pereira da Silva e Márcio Friggi. Já a defesa dos 26 réus ficará sob a responsabilidade de uma mulher, a advogada Ieda Ribeiro de Souza.
O juiz José Augusto Nardy Marzagão, da vara do júri de Santana reservou o plenário por duas semanas. Durante esse período, devem ser ouvidas 13 testemunhas de acusação e dez de defesa.
Relembre o caso
O massacre do Carandiru começou após uma discussão entre dois presos dar início a uma rebelião no pavilhão nove. Com a confusão, a tropa de choque da Polícia Militar, comandada pelo coronel Ubiratan Guimarães, foi chamada para conter a revolta.
Ao todo, 286 policiais militares entraram no complexo penitenciário do Carandiru para conter a rebelião em 1992, desses, 84 foram acusados de homicídio. Desde aquela época, cinco morreram e agora restam 79 para serem levados a julgamento.
Até hoje, apenas Ubiratan Guimarães chegou a ser condenado a 632 anos de prisão, porém um recurso absolveu o réu e ele não chegou a passar um dia na cadeia. Em setembro de 2006, Guimarães foi encontrado morto com um tiro na barriga em seu apartamento nos jardins. A ex-namorada dele, a advogada Carla Cepollina, foi a julgamento em novembro do ano passado pelo crime e absolvida.















